Secretário da Anistia Internacional visita aldeia indígena no MS
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 7 ago (EFE).- O secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil "não pode apostar em um desenvolvimento que tenha como preço a violação de direitos das populações indígenas", em reunião com líderes de várias etnias em Dourados, no Mato Grosso do Sul, segundo comunicado da ONG. Em visita ao acampamento Apikay, em Dourados, e à reserva indígena da cidade, Shetty se reuniu com líderes das etnias Guarani Ñandeva, Guarani-kaiowá, Terena, Ofaie, Kinikinau e Kadiweu e expressou sua preocupação com a situação indígena na região. "É muito sofrimento e são muitas mortes. A Anistia Internacional vem trazer sua solidariedade e seu apoio à causa indígena no Brasil. O país não pode apostar em um desenvolvimento que tenha como preço a violação de direitos das populações indígenas e tradicionais. Quando a Justiça demora é como fosse negada", afirmou, segundo o comunicado. No acampamento Apikay, o secretário, que estará no Brasil até a próxima sexta-feira, ouviu relatos das cerca de 15 famílias guaranis que vivem há 10 anos acampadas em situação precária às margens da estrada, na expectativa de retomar suas terras, onde hoje está instalada uma usina de cana de açúcar. "Não temos como plantar, quando chove, bebemos água suja do córrego, nossas crianças vivem doentes. Eu já perdi meu marido, dois filhos e dois netos. Quero a demarcação imediata de nossas terras e a responsabilização dos culpados pelas mortes de nossos parentes", afirmou a cacique Damiana, líder do acampamento Apikay, segundo a ONG. Na reserva de Dourados, com cerca de três mil hectares, 14 mil indígenas vivem confinados sem acesso à saúde e à educação, em constante conflito. Somente em 2012, 60 indígenas cometeram suicídio, devido à ausência de uma ligação direta com suas terras, considerada a "mãe" pelos guaranis. Segundo dados divulgados pela Anistia Internacional, o primeiro assassinato de um líder indígena na região foi registrado há 30 anos e, nos últimos dez, 12 líderes foram assassinados no estado e ninguém foi responsabilizado. De acordo com os representantes presentes no encontro, os indígenas do MS nunca aceitaram as oito reservas que foram criadas pelo governo, a partir de 1917, e querem retomar suas terras tradicionais a qualquer custo. Salil Shetty afirmou que os índios "estão fazendo o que é certo, se unindo e exigindo juntos seus direitos". O secretário, que se reuniu ontem com líderes de comunidades da favela da Maré, no Rio de Janeiro, encontrará autoridades do Governo Federal em Brasília amanhã, em uma audiência que deve abordar temas como a demarcação de terras indígenas e a exigência de consulta prévia às comunidades em relação a qualquer decisão que afete suas vidas. EFE ld/rsd












