Secretário-geral da OEA diz que Chávez foi caudilho, mas não ditador
Internacional|Do R7
Santiago do Chile, 6 mar (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou nesta quarta-feira que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi um caudilho, mas não um ditador, embora tenha assinalado que alguns aspectos do país sul-americano "deixam a desejar do ponto de vista da democracia". "Chávez foi um caudilho na medida em que ele era seu movimento", declarou Insulza em referência ao ideário político do governante, a Revolução Bolivariana, em entrevista à "Rádio Cooperativa". "A força política de Chávez dependia dele. Agora, vamos ver até que ponto ele deixa um legado político", indicou. O principal responsável da OEA estimou que Chávez "não pôde ter sido um ditador nesse sentido, já que sempre foi eleito democraticamente". "A verdade é que, embora algumas coisas na Venezuela certamente deixam a desejar do ponto de vista da democracia, pelo menos a oposição existia e tinha certo grau de legalidade", avaliou Insulza. O ex-ministro chileno, que dirige a OEA desde 2005, também assegurou que sua relação com o governo venezuelano nunca foi "conflituosa". "Não tive uma má relação com ele, salvo alguns incidentes que ocorreram com temas relacionados com o que é minha obrigação em termos de democracia, direitos humanos, liberdade de expressão e outras coisas. Mas, foram incidentes que, de certa maneira, acabaram sendo superados", apontou. Chávez protagonizou vários confrontos com Insulza, ao que chegou a chamar de "insulso, pentelho e vice-rei do império", enquanto vários países da OEA, com a oposição venezuelana, questionavam a gestão do secretário-geral por considerar que atuava com falta de entusiasmo em relação a Caracas. Insulza defendeu hoje que ele sempre tentou tratar a Venezuela "como a todos os países da região". Também assegurou que "os problemas não foram majoritariamente com o governo da Venezuela", mas sim "com a oposição venezuelana, que queria que nós (a OEA) fizéssemos coisas que a meu ver não poderíamos fazer de acordo as nossas normas". Sobre o legado de Chávez, o chefe da OEA ressaltou que o falecido líder "marcou toda a política latino-americana" e que sua influência foi determinante na forma como se criou a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que exclui Estados Unidos e Canadá, e que agora é presidida por Cuba. Em relação às próximas eleições na Venezuela, que devem ser realizadas em 30 dias, Insulza indicou que seu governo não convidou a OEA para enviar uma missão, requisito imprescindível para que o organismo pan-americano possa participar como observador. O titular da OEA assinalou que espera comparecer na próxima sexta-feira ao funeral de Chávez, que morreu na tarde de ontem aos 58 anos. EFE frf/fk













