Soldados israelenses matam 3 palestinos, mas conversas de paz continuam
Internacional|Do R7
RAMALLAH, Cisjordânia, 26 ago (Reuters) - Soldados israelenses mataram a tiros três palestinos durante uma operação na madrugada para prender um suposto militante na Cisjordânia na segunda-feira, horas antes de negociadores se reunirem para outra rodada de conversas de paz, disseram fontes palestinas.
As conversas intermediadas pelos EUA foram retomadas no mês passado, depois de uma paralisação de três anos devido à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas capturadas por Israel em 1967 e que os palestinos buscam para um Estado ao longo da Faixa de Gaza.
Nenhuma parte expressou muito otimismo com relação a um importante progresso e os negociadores se reuniram em segredo, alternando entre locações israelenses e palestinas.
Testemunhas disseram que jipes blindados israelenses entraram no campo de refugiados Qalandiya, perto de Jerusalém, por volta das 3h (horário local) e foram recebidos a pedradas pelos moradores. As forças israelenses responderam com tiros e deixaram o acampamento assim que o dia raiou, acrescentaram as testemunhas.
Funcionários de um hospital disseram à Reuters que três homens foram mortos a tiros.
Um porta-voz da polícia israelense disse que um confronto começou quando a polícia da fronteira, iniciando uma operação de prisão, foi confrontada por palestinos que atiraram coqueteis molotov e pedras. O incidente estava sendo investigado, disse o porta-voz Micky Rosenfeld.
As forças israelenses prenderam um homem que tinha servido anteriormente uma sentença de nove anos de prisão por suposta atividade militante, disseram os moradores. Cerca de uma dezena de manifestantes ficou ferida no confronto, acrescentaram.
Soldados israelenses frequentemente entram em território controlado por palestinos para deter pessoas suspeitas de planejarem ataques, geralmente conduzindo operações durante a noite para minimizar o confronto.
Milhares de moradores do acampamento lotado levaram os corpos dos três homens enrolados em bandeiras palestinas com suas cabeças envoltas em lenços tradicionais preto e branco, em um cortejo fúnebre que abria seu caminho pelas ruelas estreitas.
Cerca de dez militantes palestinos mascarados dispararam suas armas automáticas para o ar em uma saudação.
Depois do funeral, dezenas de jovens do local atiraram pedras contra soldados israelenses no posto de controle Qalandiya, um importante cruzamento entre a Cisjordânia e Jerusalém, e foram contidos com gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Nabil Abu Rdaineh, porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas, descreveu as mortes como "assassinatos".
(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch em Jerusalém)













