Superiate de Putin faz viagem misteriosa escoltado por navios de guerra russos
Embarcação atravessou a região da Dinamarca com o transmissor de identificação desligado, o que o torna um ‘navio fantasma’
Internacional|Do R7
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O superiate de luxo Graceful, que pertenceria ao presidente russo Vladimir Putin, atravessou as águas da Dinamarca sob forte escolta militar. Acompanhada por um destróier e um navio-patrulha da Marinha da Rússia, a embarcação de 82 metros de comprimento cruzou o Estreito do Grande Belt nesta segunda-feira (29) e foi avistada passando pela ilha de Anholt antes de seguir em direção ao norte da península da Jutlândia.
O comboio atraiu a atenção das autoridades europeias, sendo monitorado alternadamente pela Guarda Costeira alemã e pelo navio patrulha P521 Freja, da Marinha dinamarquesa, que realizam o acompanhamento rotineiro de navios de estados estrangeiros que transitam por esses estreitos. Não há informações sobre o destino final do comboio russo.
Avaliado em cerca de US$ 117 milhões (aproximadamente R$ 610 milhões), o iate tem navegado com seu transmissor de identificação automática (AIS) desligado desde agosto de 2022, logo após a invasão da Ucrânia, o que o torna um “navio fantasma” nos radares eletrônicos convencionais.
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Embora o Kremlin nunca tenha reconhecido oficialmente a propriedade, diversas evidências e investigações vinculam o Graceful diretamente a Putin. A conexão com o líder russo é reforçada por detalhes operacionais: a embarcação é tripulada por membros do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), o serviço de inteligência do país, e equipada com um telefone de comunicação especial Prestige-CB, um dispositivo exclusivo para autoridades que lidam com informações classificadas como ultrassecretas.
A sofisticação técnica e as modificações feitas no Graceful revelam um projeto moldado para as preferências pessoais do presidente russo. O superiate conta com um heliporto, um salão de jantar com mesa para 12 pessoas e fontes contrastantes no terraço aberto, características comuns a outras residências atribuídas a Putin.
No convés, destaca-se uma piscina que pode ser convertida em pista de dança ou sala de cinema, apresentando o mesmo design encontrado no Scheherazade, outro iate ligado ao mandatário russo. O interior ainda abriga uma academia de ginástica privativa, pianos de cauda, sofás de alto luxo e cabines espaçosas separadas para homens e mulheres, com o quarto principal emoldurado por colunas.
A história recente do navio reflete a tensão geopolítica atual, tendo sido “evacuado” de um estaleiro em Hamburgo, na Alemanha, em fevereiro de 2022, para evitar sanções internacionais. Mesmo sob restrições econômicas, a manutenção do iate continuou sendo feita. Estima-se que, apenas em 2022, o orçamento para reparos e manutenção tenha alcançado cerca de US$ 32 milhões (R$ 166 milhões). Segundo investigações conduzidas pela equipe do opositor russo Alexei Navalny, a embarcação ainda conta com itens de luxo, como guarda-chuvas blindados, avaliados em R$ 66 mil cada.
O navio Graceful foi alvo de sanções americanas poucos meses após o início da guerra, mas, para viabilizar seu reparo, foi construído um sistema complexo, toda uma infraestrutura de assistentes na Europa, Turquia e Dubai, que ajudam diariamente a contornar as sanções, segundo o jornal ucraniano Pravda.
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