Surpresa na Líbia após apelo de ocidentais para cidadãos deixarem Benghazi
Internacional|Do R7
O apelo de vários países ocidentais para que seus cidadãos na Líbia deixassem Benghazi surpreendeu diplomatas no local e autoridades líbias, apesar da influência crescente dos grupos radicais nesta cidade do leste do país.
"Todos estão se perguntando (...) Se perguntam por que eles ficaram aterrorizados de repente", disse o cônsul honorário da França em Benghazi, Jean Dufriche, "contrariado" em deixar a cidade por ordem de Paris, assim como outros franceses.
Contatado por telefone, Dufriche se referiu a uma "reação em cadeia" das capitais ocidentais após "rumores" espalhados por islamitas radicais para "fazer os estrangeiros saírem de Benghazi".
"Se esse era o objetivo deles, então conseguiram", lamentou.
Chefe de projetos no Centro Médico de Benghazi há vários anos, o dr. Dufriche considera que, até agora, "não havia sinais alarmantes" que pudessem levar os ocidentais a tomar uma "decisão rápida" como essa.
O primeiro-ministro líbio, Ali Zeidan, considerou nesta sexta-feira em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, que "houve um exagero por parte de alguns países".
Esses países, afirmou, "tomaram medidas, e podemos entender". "Mas a realidade é que essas pessoas de nacionalidade estrangeira vivem pacificamente na Líbia e que há medidas de segurança para protegê-las", disse, citado pela agência líbia Lana.
O Reino Unido foi o primeiro a pedir na quinta-feira que seus cidadãos deixassem a cidade em razão de uma "ameaça específica e iminente" contra os ocidentais. O apelo foi seguido por Alemanha, Holanda e França.
No dia seguinte aos alertas, os jornalistas da AFP não constataram um movimento mais intenso no aeroporto ou nas saídas dos hotéis, sendo que o principal, o Tibesti, estava cheio de hóspedes.
No entanto, as duas escolas ocidentais da cidade, a International School e a Escola Europeia, estavam com as suas portas fechadas desde quarta. Quatro professores ocidentais da Escola Europeia deixaram Benghazi na quinta e nesta sexta-feira, de acordo com um integrante da direção da escola.
Um diplomata em Benghazi falou de uma "decisão surpreendente" de Londres, considerando que os ocidentais são apenas algumas dezenas na cidade, e que aqueles que a deixaram já o tinham feito bem antes de quinta-feira, principalmente depois do atentado contra o consulado americano, em setembro de 2012.
"Por que os britânicos quiseram fazer toda esta agitação? Ainda não sabemos", afirmou o diplomata, que pediu para não ser identificado.
Ele não descarta a tese apresentada por alguns analistas líbios que consideram que a evacuação dos estrangeiros pode ter sido uma "medida preventiva anterior a uma intervenção militar americana contra grupos radicais do leste líbio.
"Nós fomos surpreendidos pelo anúncio de Londres, que suscitou o pânico entre os estrangeiros e também entre os líbios aqui", afirma o porta-voz do conselho local de Benghazi, Osama Sherif, considerando que não havia "ameaças em particular contra os estrangeiros".
ila/vl/mr/dm












