Talibãs afegãos rejeitam oferta de diálogo da comunidade internacional
Internacional|Do R7
Cabul, 6 fev (EFE).- Os talibãs afegãos pediram nesta quarta-feira à comunidade internacional para abandonar a ideia de "interferir de maneira permanente" no país e tacharam de "propaganda" a recente cúpula entre Afeganistão, Paquistão e Reino Unido em Londres, onde se apostou pelo diálogo com a insurgência. "Essas conferências nem desempenharam um papel positivo em resolver os assuntos dos afegãos nem apresentaram um resultado promissor", afirmou o porta-voz insurgente Zabiulá Mujahid em comunicado publicado no site dos talibãs. Mujahid opinou que as reuniões "desviam a atenção pública da solução" do conflito e buscam dar "a impressão de que há algum tipo de progresso", embora, em sua opinião, esses avanços não tenham acontecido. "Após ter usado a força por 11 anos e enfrentando uma derrota militar, (os países da Otan) chegaram à conclusão de que a guerra no Afeganistão deve terminar", disse o porta-voz talibã. Segundo Mujahid, isso demonstra que "não estão comprometidos realmente com resolver a questão afegã". O pronunciamento aconteceu depois que no último dia 4 durante uma cúpula em Londres os presidentes do Afeganistão e Paquistão, Hamid Karzai e Asif Ali Zardari, pactuaram assinar um acordo de cooperação no próximo outono. Nesse encontro, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fez, além disso, uma convocação aos talibãs para tomar parte em conversas de paz sobre o futuro do Afeganistão. Os talibãs suspenderam em março do ano passado o diálogo que haviam iniciado poucos meses antes com os Estados Unidos através de um escritório no emirado islâmico do Catar. Nos últimos meses, o governo afegão retomou a ideia de conversar com a insurgência e concentrou os esforços, desta vez, em convencer o vizinho Paquistão a se envolver no processo. Islamabad, por sua vez, libertou alguns líderes insurgentes, em um gesto de aproximação. Muitos analistas acreditam que os principais líderes talibãs e de outros grupos afins buscam refúgio em território paquistanês com o apoio ou tolerância das instituições de segurança do país, por isso a atitude do Paquistão no processo de paz afegão é crucial. A guerra no Afeganistão está em um de seus momentos mais sangrentos, passados 11 anos da invasão dos EUA e da queda do regime talibã - e faltando dois anos para que as tropas aliadas concluam sua retirada do país. EFE fpw-igb/tr










