Testemunha relaciona presidente da Guatemala a massacre de indígenas
Internacional|Do R7
Cidade da Guatemala, 4 abr (EFE).- Um ex-colaborador do Exército da Guatemala que depôs no julgamento do general golpista José Efraín Ríos Montt por genocídio disse que o atual presidente do país, o general reformado Otto Pérez Molina, esteve envolvido no massacre de indígenas da etnia ixil. "Os militares, os soldados, a ordens do major Tito Arias, conhecido como Otto Pérez Molina, coordenavam a queima e o saque das pessoas", declarou Hugo Bernal, que trabalhava no Corpo de Engenheiros do Exército guatemalteco em uma unidade situada no noroeste do departamento de Quiché. Bernal, que depôs através de videoconferência por questões de segurança, afirmou que de 1982 a 1983 serviu como mecânico no quartel militar "El Pino, no povoado de Nebaj, um dos municípios que integram o denominado Triângulo Ixil. Ele disse ter visto no local dezenas de indígenas serem levados por soldados para serem torturados e assassinados. "Chegavam feridos, com a língua cortadas, com as unhas arrancadas e eram executados pelos militares", declarou o ex-colaborador, que informou que o chefe da unidade na época era o então major do Exército Otto Pérez Molina, quem dentro das Forças Armadas utilizou o pseudônimo de 'Major Tito Arias'. "Houve execuções na companhia militar. As pessoas eram transferidas, mulheres e crianças. Quando as execuções aconteciam em El Pino, os oficiais encarregados eram que os matavam e sepultavam clandestinamente", denunciou. "Eram ordens dadas pelo major Francisco Marín Oliva e Tito Arias. Eles mandavam em um jipe os oficiais a uma loja de propriedade de dona Chavela, ou então a uma cantina que se chamava 'Los Tres Monitos'. E, em estado de embriaguez, faziam a execução em 'El Pino'", completou. Nem Pérez Molina, que governa a Guatemala desde janeiro de 2012, nem nenhum funcionário da Presidência se pronunciaram sobre as acusações da testemunha. Em algumas ocasiões anteriores, o líder admitiu ter sido comandante de uma base militar localizada no Triângulo Ixil nos anos 80, mas negou a participação em violações aos direitos humanos durante a guerra interna de 36 anos que o país viveu entre 1960 e 1996. O julgamento por genocídio e crimes de guerra contra Ríos Montt e seu antigo chefe de Inteligência Militar, o também general reformado José Rodríguez, foi iniciado em 9 de março, e, segundo as previsões do tribunal, poderão se estender por pelo menos mais um mês. Até o momento, prestaram depoimento no Tribunal Primero A de Mayor Riesgo, onde acontece o julgamento, cerca de 100 sobreviventes e familiares das vítimas. A Promotoria acusa Ríos Montt e Rodríguez do assassinato de pelo menos 1.771 indígenas da etnia ixil, os quais foram mortos em pelo menos 16 massacres coletivos efetuados pelo Exército entre março de 1982 e agosto de 1983, período durante o qual Ríos Montt governou o país. EFE ca/dr (foto)











