"Todos os países espionam", alega a Casa Branca ante queixas francesas
Segundo o jornal Le Monde, a NSA realizou 70,3 milhões de gravações telefônicas de franceses
Internacional|Do R7
A Casa Branca respondeu nesta segunda-feira (21) às queixas feitas pela França sobre as novas denúncias de espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional americana alegando que "todas as nações realizam operações de espionagem".
"Já deixamos claro que os Estados Unidos recolhem informações de inteligência no exterior do mesmo modo que todos os países recolhem", afirmou a porta-voz da agência, Caitlin Hayden.
Novas revelações sobre a espionagem em massa dos serviços norte-americanos provocaram reações iradas do México, que pediu uma investigação, e sobretudo, da França, que convocou o embaixador dos Estados Unidos em Paris.
Segundo o jornal Le Monde, em sua edição desta segunda-feira, a NSA (agência americana de Segurança) realizou 70,3 milhões de gravações de dados telefônicos de franceses em um período de 30 dias entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.
O Le Monde cita documentos do ex-consultor da NSA Edward Snowden, atualmente asilado na Rússia.
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"Estou profundamente escandalizado", declarou nesta segunda-feira em Copenhague o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault.
"É incrível que um país aliado possa chegar a espionar tantas comunicações privadas sem nenhuma justificativa estratégica", disse, reagindo às informações sobre o caso de espionagem em massa reveladas pelo jornal Le Monde.
Ilustrando a gravidade da crise, o chanceler da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira a convocação imediata do embaixador de Washington em Paris.
"Convoquei imediatamente o embaixador dos Estados Unidos, que será recebido ainda nesta manhã" na chancelaria, disse Fabius ao chegar a uma reunião europeia em Luxemburgo.
"Entre sócios, este tipo de práticas que atentam contra a vida privada são totalmente inaceitáveis. É preciso garantir muito rapidamente que (...) não ocorram mais", acrescentou.
O tema será evocado nesta terça-feira por Fabius e por seu colega americano John Kerry durante um encontro em Paris, antes da reunião sobre a Síria prevista para Londres, indicou um funcionário da chancelaria francesa.
No domingo, o México condenou a espionagem e exigiu uma explicação imediata, depois que a revista alemã Der Spiegel afirmou que o serviço de inteligência americana invadiu o e-mail do ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012).
"O governo do México reitera sua categórica condenação à violação da privacidade das comunicações de instituições e cidadãos mexicanos", disse a chancelaria mexicana.
"Esta prática é inaceitável, ilegítima e contrária ao direito mexicano e ao direito internacional", afirmou a chancelaria, que afirma que pedirá às autoridades americanas uma investigação "que deverá ser concluída em breve".
Em sua versão digital, a Der Spiegel também citou um documento ultrassecreto vazado por Snowden.
Em maio de 2010, a NSA "explorou de forma bem-sucedida uma chave de servidor de e-mail na rede da Presidência mexicana (...) para obter, pela primeira vez, acesso à conta pública de e-mail do (então) presidente Felipe Calderón", afirma o texto, que atribui a missão a um departamento chamado Operações de Acesso à Medida (TAO, em inglês).
"Em uma relação entre vizinhos e sócios não há espaço para as práticas que supostamente ocorreram", afirmou a secretaria de Relações Exteriores do México depois deste novo escândalo de espionagem americana.












