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Torcedores uruguaios, fãs de suas equipes "até a morte"

Internacional|Do R7

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María Sanz. Montevidéu, 5 dez (EFE).- No Uruguai, onde o futebol é quase uma religião e há uma grande fonte de sucessos esportivos apesar do reduzido tamanho do país, os estádios já não são apenas templos consagrados ao esporte, mas funcionam também como cemitérios para muitos torcedores. Após se declararem torcedores de sua equipe "até a morte", alguns desejam que, ao morrer, suas cinzas repousem no mesmo gramado que todo o ano seus ídolos esportivos pisam. Destaque para o caso do clube Central Español, que nasceu há 108 anos, quando um grupo de jovens do Bairro Palermo de Montevidéu se reunia para jogar futebol em um descampado entre o Cemitério Central e a costa. O time ganhou seu nome do cemitério onde, segundo conta a lenda da equipe, alguns de seus primeiros jogadores terminavam suas noites de festa e dormiam escondidos entre os túmulos. Embora seu estádio atual, o Parque Palermo, ficar longe desse bairro e do Cemitério que lhes deu nome, são muitos os torcedores que escolhem as instalações como última morada. Tantos que em 1962 o clube decidiu prestar homenagem "a seus sócios mortos", com a colocação de um monolito e uma placa em seu estádio, segundo disse à Efe o presidente da entidade, Guillermo Rodríguez Misa. O dirigente descartou instalar gavetas ou locais específico para depositar cinzas no Parque Palermo, porque "a vontade dos sócios não é que os guardem no estádio, mas descansar sobre o gramado, no mesmo terreno onde as partidas são jogadas". Alguns torcedores pedem inclusive para que se espalhem suas cinzas "bem perto das traves, onde se concretizam os gols", porque "acham que aí suas sensações serão diferentes", relatou Misa. "Não temos nenhuma superstição com o tema da morte. Nós não acreditamos nos maus espíritos", assegurou entre risos o presidente da entidade. Enquanto isso, o estádio de Defensor Sporting acolhe há anos os ritos funerários dos devotos do clube. Lá contam o caso de um grande torcedor da chamada "equipe violeta", que morreu perto do estádio do Defensor, justamente quando saía para acompanhar um dos treinos das divisões juvenis. O torcedor sempre tinha pedido que suas cinzas fossem espalhadas no estádio e tanto seus familiares como os dirigentes do clube facilitaram que pudesse se cumprir sua última vontade. Outros fanáticos do esporte solicitam que suas cinzas sejam depositadas no mítico Estádio Centenário de Montevidéu, onde aconteceu a primeira Copa do Mundo no ano de 1930, no qual a seleção uruguaia foi vencedora. "É um tema que tratamos com muito respeito, e com a reserva que merecem estes casos. Permite-se que se celebre uma cerimônia privada, e os familiares têm acesso ao campo de jogo para espalhar as cinzas", afirmou à Efe o diretor-geral da Comissão Administradora do Field Oficial (Cafo), Mario Romano. Romano descartou, além disso, que esta prática pudesse afetar a manutenção normal do gramado do campo de jogo. Fora do Uruguai, alguns clubes instalaram gavetas para as cinzas de seus torcedores, como no caso do estádio do conjunto argentino Boca Juniors, conhecido como La Bombonera, ou dos estádios do Manchester City e do Betis na Espanha. Um das equipes pioneiras nesta prática foi o Atlético de Madrid, que em seu estádio Vicente Calderón da capital espanhola conta com um local para abrigar 4.200 urnas que reproduzem diversos momentos da história do clube. Neste recinto, inaugurado em 2008, os torcedores podem reservar seu espaço a um preço de 3.600 euros. Em Montevidéu, enquanto isso, a motivação econômica não parece entrar na equação, na qual só prevalece a última vontade do falecido. EFE msd/ma (foto)

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