"Três balas foram disparadas": foi assim que o mundo soube da morte de JFK
Internacional|Do R7
Raquel Godos. Washington, 20 abr (EFE).- "Três balas foram disparadas", assim começava o texto escrito no dia 22 de novembro de 1963 pelo jornalista Merriman Smith, o primeiro a contar ao mundo que o então presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, tinha sido assassinado. Também é assim o nome da exposição que desde este fim de semana e até janeiro do próximo ano do "Newseum" de Washington, o museu interativo do jornalismo, em comemoração do 50º aniversário do falecimento do líder. Trata-se de uma amostra que recolhe alguns objetos nunca exibidos relacionados com o dia do assassinato. A camisa, a jaqueta e parte da documentação que portadas naquele dia pelo suposto assassino de JFK, Lee Harvey Oswald, são parte da exposição, que além disso faz um percurso sobre a cobertura jornalística do caso desde que a família Kennedy viajou para Dallas (Texas) até ao funeral realizado em sua memória. "Essa é a camisa que estava usando. E esta jaqueta foi encontrada em uns arbustos e dizem que ele a tirou depois dos disparos para que não o reconhecessem. E além disso temos a sua carteira, seu carteira de identidade, as fotos de sua esposa, de seu filho e o cartão da biblioteca", explicou Indira Williams à Agência Efe, diretora de Recursos Visuais do museu, enquanto passeava pela exposição. O assassinato de JFK marcou um antes e um depois na história do país e também na história do jornalismo: o dia 22 de novembro foi filmado pela primeira vez o assassinato de um presidente dos Estados Unidos. Naquele dia, dezenas de jornalistas foram à família presidencial para cobrir sua viagem, mas nenhum deles foi, no entanto, o que captou a imagem na qual se vê Kennedy sendo morto dentro do carro no qual viajava com sua esposa Jacqueline. Como conta a exposição, Richard Stolley, então editor da revista "Life", chegou quatro horas depois do assassinato de Kennedy à cidade e conseguiu as filmagens com um morador do bairro onde o assassinato ocorreu, já que este estava filmando o desfile no momento. "Ele sabia que o sobrenome daquele morador era algo como "Zapruder", mas não tinha certeza. Portanto passou horas procurando na lista telefônica sobrenomes que soassem assim. E acabou por encontrou", contou Williams. Abraham Zapruder, que era costureiro, vendeu o famoso vídeo a Stolley por US$ 50 mil (aproximadamente R$ 100 mil), imagens que deram a volta ao mundo e foram filmadas com uma câmara Bell & Howell que hoje pode ser vista na exposição. Estes e outros episódios da cobertura jornalística do assassinato de Kennedy completam esta exposição que o "Newseum" elaborou junto a outra de caráter exclusivamente fotográfico sobre o trabalho do que foi o primeiro fotógrafo presidencial, Jacques Lowe. A segunda exposição, chamada "Criando Camelot", abriga 70 imagens da família Kennedy cujos negativos foram destruídos nos atentados do 11 de setembro, já que Lowe os guardou em um cofre de um banco situado em uma das torres do World Trade Center de Nova York. "Graças à tecnologia pudemos resgatar as imagens que ainda permaneciam no escritório de Lowe - explicou Williams - mas são documentos únicos que vão desde um Kennedy desconhecido até imagens de sua filha no Salão Oval". O fotógrafo, que foi o único a ter acesso aos momentos chave da vida de Kennedy, deixou seu trabalho aos seis meses de mandato do presidente, já que "seu trabalho passou de ser intenso a ser trabalho mais de escritório". Além da revisão do assassinato de JFK e de um percurso por sua vida política mais desconhecida antes de chegar à Casa Branca, e nos primeiros meses de Governo, a homenagem do "Newseum" ao 50º aniversário de sua morte é completado pelo filme "A Thousand Days: A Tribute to John Fitzgerald Kennedy", sobre a vida familiar dos Kennedy durante seu período na Casa Branca. EFE rg/jt (foto)











