Tribunal egípcio condena à morte 720 islamitas por atos de violência
Decisão judicial de pena de morte a número tão elevado não tem precedentes na história do país
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O Tribunal Penal de Minia, no sul do Egito, condenou nesta segunda-feira (28) à morte 720 supostos seguidores da Irmandade Muçulmana por cometer atos de violência em dois casos separados, informou à Agência Efe o advogado da defesa Tareq Ibrahim.
Em um caso, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e outros 682 réus islamitas considerados leais ao presidente destituído Mohamed Mursi foram condenados à morte.
O Tribunal Penal de Minia, no sul do país, ordenou remeter os expedientes de 683 processados ao mufti do Egito, Shauqui Alam, máxima autoridade religiosa, o que segundo o sistema judiciário egípcio significa que foram condenados à morte.
A maioria destas pessoas foram julgadas à revelia, enquanto entre os detidos se encontram alguns dirigentes islamitas, como Badía, que enfrenta acusações de atacar instituições públicas e a delegacia do distrito de Al Edua.
Em outro caso, o presidente do tribunal, o juiz Said Youssef, ditou pena de morte firme para 37 pessoas e prisão perpétua para outras 491 por seu envolvimento em atos violentos.
Este segundo grupo de mais de 520 pessoas tinha sido condenado à pena capital em 24 de março e seus processos tinham sido remetidos ao mufti de forma provisória para que este emitisse uma sentença não vinculativa.
Os condenados foram julgados por participação em manifestações violentas em Minya em 14 de agosto de 2013, mesmo dia em que mais de 700 partidários de Mursi morreram em protestos violentamente reprimidos no Cairo.
Várias mulheres que aguardavam o veredicto nas proximidades do tribunal desmaiaram ao tomar conhecimento da sentença. As famílias explodiram em prantos e gritos ao conhecer as sentenças, e insistiram em que seus familiares são inocentes.
Mohamed Badie, líder da Irmandade Muçulmana, fundada há 85 anos no Egito e movimento que venceu todas as eleições organizadas desde a queda de Hosni Mubarak no início de 2011, tem outros julgamentos abertos, nos quais também pode ser condenado à pena de morte.
A decisão judicial de condenar à morte esse número tão elevado de pessoas não tem precedentes na história do Egito e despertou a críticas de países ocidentais e de organismos de direitos humanos.













