Tribunal inglês nega liberdade condicional do clérigo islâmico Abu Qatada
Internacional|Do R7
Londres, 20 mai (EFE).- Um tribunal britânico negou nesta segunda-feira o pedido de liberdade condicional ao clérigo islâmico radical Abu Qatada, ao concluiu que o imã havia violado essa condição de liberdade anteriomente. Após escutar as partes, a Comissão Especial de Apelações de Imigração - um tribunal especial que trata casos de segurança nacional - decidiu que o clérigo deverá permanecer em prisão preventiva em uma cadeia de alta segurança em Belmarsh. Qatada, que passou vários períodos - até mais de sete anos - preso do Reino Unido, foi detido outra vez em março sob suspeita de ter quebrado as estritas condições de sua liberdade vigiada. O juiz considerou que ficou provado que o imã violou esses requisitos depois que foi encontrado em seu domicílio, onde vivia com sua esposa e filhos, um cartão de memória no qual, além de material escolar, havia propaganda islamita radical. "Consideramos estas violações algo muito grave. É obrigação do litigante entender as condições de liberdade condicional e assegurar que estas são cumpridas", declarou o magistrado. Um porta-voz do Ministério do Interior aplaudiu a decisão da corte e lembrou que Qatada "é um homem perigoso". Qatada, uma figura que o Reino Unido quer deportar para a Jordânia por terrorismo, solicitou hoje à Comissão de Apelação a liberdade sob pagamento de fiança depois que o Governo britânico perdeu o último recurso para repatriá-lo. Ao formalizar hoje o pedido perante o Tribunal, seu advogado, Daniel Friedman, disse que o imã é um homem "digno e orgulhoso" e lembrou que "foi privado de sua liberdade durante mais tempo que qualquer outro preso não condenado na história do Reino Unido". Friedman também contestou as acusações de violação de liberdade vigiada e restrições de comunicação e movimentos. Abu Qatada, que é considerado pelo Governo britânico uma ameaça para a segurança nacional, passou mais de sete anos na prisão sem acusação ou julgamento, no Reino Unido, enquanto o Executivo tratava em vão de deportá-lo para a Jordânia. Em uma surpreendente mudança de postura, Qatada, de 52 anos, aceitou neste mês finalmente retornar à Jordânia se as autoridades do país árabe se comprometerem a não usar em seu julgamento provas obtidas sob tortura. Os Governos britânico e jordaniano finalizam agora as condições de um acordo que a princípio possibilitaria sua entrega. O imã jordaniano-palestino, conhecido por seus sermões incendiários na década de 1990, é requerido pela Jordânia para voltar a ser julgado por uma conspiração terrorista contra turistas, pela qual já foi condenado à revelia em 1999 e 2000. EFE jm/ff











