Turquia vai às urnas neste domingo, mas Erdogan pode ter problemas
O presidente Erdogan, que antecipou a eleição em mais de um ano, espera consolidar seu poder, mas pode ser obrigado a disputar um segundo turno
Internacional|Fábio Fleury, do R7

Quase 53 milhões de eleitores irão às urnas neste domingo (23) na Turquia. O presidente Tayyip Erdogan, que antecipou a votação em mais de um ano, busca consolidar seu poder e se tornar líder quase absoluto do país, mas pode encontrar problemas e se ver obrigado a disputar um segundo turno inesperado.
O segundo colocado nas pesquisas, Muharrem Ince, do partido Republicano do Povo, vem crescendo e, se conseguir obter os votos da minoria étnica curda, que responde por cerca de 20% do eleitorado, pode se tornar uma ameaça real a Erdogan e o partido Justiça e Desenvolvimento.
Quem também pode atrapalhar o presidente é a candidata Meral Aksener, do partido nacionalista Iyi (que significa "Bom" em turco). Ela é a primeira mulher a se candidatar à presidência na história da Turquia e tem aparecido em terceiro nas pesquisas.
O atual presidente projetava a vitória na eleição, que estava marcada inicialmente para novembro de 2019, para consolidar um sistema de governo de 'presidência executiva', aprovado em referendo no ano passado, em que ele teria poderes para influenciar no Legislativo e no Judiciário. O cargo de primeiro-ministro será abolido e suas funções, somadas às do presidente.
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Com isso, Erdogan, em caso de vitória, acumulará poderes para indicar ministros, vários níveis do poder judiciário e da burocracia estatal e um ou mais vice-presidentes (o cargo não está em disputa na eleição).
Além disso, o orçamento nacional, até então responsabilidade do parlamento, será feito pelo presidente. O parlamento teria poder para vetá-lo, mas nesse caso o orçamento do ano anterior seria mantido.
Os parlamentares ainda teriam poder para fazer um impeachment do presidente, mas seria necessária uma maioria de dois terços dos votos e o resultado ainda seria julgado pela corte constitucional do país, onde a maioria dos membros será escolhida por indicação presidencial.
As eleições acontecem em meio a um estado de emergência decretado após uma tentativa fracassada de golpe contra Erdogan, em 2016.
Além do presidente, os eleitores também vão escolher os novos integrantes do Parlamento da Turquia. Após a alteração constitucional do ano passado, a casa vai aumentar para 600 parlamentares, em vez dos antigos 550. Duas grandes coligações disputam o controle do poder Legislativo, mas o referendo dará ao futuro presidente o poder de dissulver o congresso, se assim desejar.













