Ucrânia ordena retirada de tropas da Crimeia
Internacional|Do R7
Boris Klimenko. Kiev, 24 mar (EFE).- A cúpula política e militar da Ucrânia ordenou nesta segunda-feira a retirada das tropas leais ao governo central que permaneciam na Crimeia, após perder quase toda sua tropa e unidades instaladas na região anexada pela Rússia. "O Conselho Nacional de Segurança e Defesa ordenou ao Ministério da Defesa a retirada das unidades militares desdobradas na República Autônoma da Crimeia", comunicou o presidente interino da Ucrânia, Aleksandr Turchinov, à Rada Suprema (parlamento). A decisão foi tomada após um fim de semana que se tornou uma tragédia histórica para a marinha da Ucrânia, que em menos de 48 horas perdeu quase todos seus navios de guerra, entre eles a embarcação "Slavutych" e seu único submarino, o "Zaporozhiye". Além disso, pelo menos cinco oficiais ucranianos, entre eles o comandante adjunto da armada da Ucrânia para a defesa do litoral, o general Igor Voronchenko, e o combativo comandante da base aérea de Belbek, o coronel Yuli Mamchur, foram detidos nas últimas 24 horas. Já o comandante do batalhão de infantaria da marinha de Feodosia (Crimeia), o coronel Dmitri Deliatitski, e seu segundo oficial, Rostislav Lomtev, foram presos hoje depois da tomada de sua unidade pelas forças russas. As autoridades da Crimeia anunciaram que os detidos foram acusados de roubar armas e munição para entregá-las a combatentes que estaria na Crimeia para praticar atos de sabotagem e atentados terroristas. O ataque à unidade de Feodosia (junto à fronteira marítima com a Rússia antes da anexação), uma das últimas que ainda eram leais à Ucrânia, começou de madrugada com ajuda de helicópteros e carros blindados russos. Os russos "desceram de helicópteros", enquanto "dois blindados e duas dezenas de soldados rodearam o perímetro e bloquearam o acesso à base", disse o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano na Crimeia, Vladislav Selezniov. Pouco antes do ataque, o comando da base ucraniana manifestou disposição de abandonar a unidade e sair da Crimeia rumo à parte continental da Ucrânia, mas com seus veículos e todo o armamento da unidade. Além disso, um grupo de homens armados a bordo de várias lanchas rápidas tentaram hoje sem sucesso abordar a embarcação ucraniana "Cherkassi" em águas do lago Donuzlav, de onde não consegue sair para mar aberto pois os russos afundaram dois navios para bloquear a passagem. O navio conseguiu evitar a abordagem graças a manobras de evasão e lançamento de explosivos para afastar as lanchas das forças pró-Rússia. A embarcação se mostrou o mais combativo de todos os navios da marinha ucraniana na Crimeia, já que, além de repelir o ataque de hoje, por outras duas vezes tentou superar o bloqueio russo no lago para sair das águas territoriais da península. Em uma primeira tentativa, procurou rebocar um dos barcos afundados pelos russos, enquanto ontem quase atravessou o estreito corredor entre as embarcações submergidas, mas foi arrastado em direção contrária por uma lancha russa. De madrugada, os militares russos afundaram outra embarcação para bloquear qualquer possibilidade de sair do lago. No final da noite de ontem, o "Cherkassi", o "Genichesk" e o grande navio de desembarque "Kosntantin Olshansky" eram os últimos navios ucranianos a não se renderem. Um marinheiro do "Cherkassi", Aleksandr Gutnik, confirmou ao jornal ucraniano "Ukrainskaya Pravda" que a lancha "Genichesk" se rendeu hoje às tropas russas, enquanto o "Olshansky" estaria a ponto de se entregar. "A bordo do 'Olshansky' ocorreu uma sabotagem. Alguém jogou combustível nos tanques com água doce e a envenenou. Já não pode ser usada nem para cozinhar. Desta forma, se reduziu o tempo que poderão resistir. Seguramente se renderão ou serão abordados", disse o marinheiro. Desde sábado, tropas russas e soldados das chamadas forças da Crimeia assumiram o controle de quase todas as unidades, navios de guerra e bases militares que até então resistiam a mudar de lado ou abandonar seus destacamentos. Neste fim de semana, vários oficiais ucranianos denunciaram a negligência da cúpula militar e política do país na hora de decidir os passos que os soldados que não querem se render devem seguir. EFE bk-aep/dk











