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Um candidato social-democrata de altos e baixos

Internacional|Do R7

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Juan Palop. Berlim, 19 set (EFE).- Inteligente, mas com pouco carisma, orador agudo, embora propenso a deslizes, competente, apesar de distante do eleitor comum: assim é Peer Steinbrück, o candidato social-democrata nas eleições do próximo domingo na Alemanha. O líder do Partido Social-Democrata Alemão (SPD), de 65 anos, é um político moderado e experiente que enfrenta o grande desafio de sua carreira - desbancar Angela Merkel da liderança do governo - com uma mistura de laboriosa disciplina e uma coragem quase arrogante que, segundo as pesquisas, não convence os cidadãos... e tampouco certos setores de sua legenda. "As eleições não se ganham só com popularidade, mas também com capacidade", responde Steinbrück, mostrando seu caráter afiado. Metódico e disciplinado, como enxadrista e construtor de modelos de navios que é, este economista realizou uma campanha profundamente ideológica e talvez um pouco distante do clamor das ruas, como ele mesmo, enquanto Merkel apostou em valores, sensações e em sua própria personalidade. O candidato recorreu a suas maiores qualidades, entre as quais se destacam - e aí estão de acordo seus seguidores e opositores - sua capacidade retórica, inteligente e mordaz, capaz de deslumbrar sua bancada na Bundestag (câmara baixa) e arrancar um sorriso de seus críticos. A velocidade com que conecta números e argumentos lhe transformou em um cobiçado tertuliano em fóruns econômicos, algo que também se voltou contra sua campanha, já que é o deputado com maiores honorários externos. Às vezes, no entanto, lhe faltou o controle diplomático que se imagina em um candidato à Chancelaria, como quando afirmou que os chefes de governo na Alemanha não ganham muito ou quando decidiu posar com o dedo médio em riste. Steinbrück presume então de franqueza e, por isso, não duvidou em repetir durante a campanha, por exemplo, que pretende aumentar "alguns impostos" para "algumas pessoas", apesar da falta de popularidade desta medida. Sua intenção, várias vezes explicitada, é chegar ao governo em uma coalizão com o Partido Verde, apesar de esta combinação não somar os votos necessários, de acordo com todas as pesquisas. Com uma coerência quase suicida, Steinbrück descartou abertamente se associar com a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel em uma "grande coalizão" ou formar um tripartite que inclua a Esquerda, as duas opções mais viáveis para sua formação. Casado e pai de três filhos, ele ocupa há mais de quatro décadas cargos públicos de relevância, como o de chefe de Governo do estado da Renânia do Norte-Vestfália (2002-2005) e o de ministro das Finanças no primeiro governo de Angela Merkel (2005-2009), no qual precisou lidar com a crise financeira global. No entanto, muitos analistas concordam em destacar sua falta de carisma - abaixo de Merkel - e em ressaltar que seu perfil se encaixa melhor com o ministro das Finanças. Steinbrück nasceu em 1947 em uma família de classe média de Hamburgo e, após ser um "estudante medíocre", segundo suas próprias palavras, e exercer vários trabalhos mal remunerados, entrou de forma tardia na universidade e se formou em Economia e Sociologia. Em 1969, ingressou no SPD e, em 1986, após trabalhar em vários ministérios federais, passou a ser o braço direito do então chefe do governo de Renânia do Norte-Vestfália, Johannes Rau. Nesse estado, o mais povoado e durante décadas reduto social-democrata do país, transcorreu boa parte de sua carreira, até que em 2002 se tornou seu primeiro-ministro. Lá ele também sofreu o revés mais duro de sua vida política, quando em 2005 o SPD perdeu o estado federado, o que levou o então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005) a convocar eleições antecipadas. Merkel se impôs nesse pleito, mas se viu obrigada a se aliar ao SPD, e transformou Steinbrück em um dos homens fortes de sua grande coalizão. EFE jpm/rsd/id

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