Um dos últimos suspeitos do genocídio de Ruanda é detido na África do Sul
Fulgence Kayishema estava desaparecido desde 2001 e usou diversas identidades falsas para não ser encontrado
Internacional|Do R7

Fulgence Kayishema, um dos últimos quatro fugitivos procurados por seu papel no genocídio de Ruanda em 1994, foi detido na quarta-feira (24) na África do Sul, anunciaram nesta quinta-feira (25) os promotores da ONU que investigam o caso.
"Um dos genocidas fugitivos mais procurados do mundo (...) foi detido em Paarl, África do Sul", como parte de uma operação com as autoridades sul-africanas, informou um tribunal das Nações Unidas em um comunicado.
Ele estava desaparecido desde 2001, de acordo com o Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais, responsável por concluir os trabalhos do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR).
Kayishema era procurado por seu papel no genocídio que, em 100 dias, resultou na morte de 800 mil tutsis e hutus moderados.
Ex-inspetor de polícia, nascido em 1961, de acordo com o tribunal, ele foi acusado de genocídio, cumplicidade em genocídio, conspiração para cometer genocídio e crimes contra a humanidade.
De acordo com a acusação, Kayishema é responsável e também cúmplice de assassinato e danos físicos ou mentais graves a membros da população tutsi entre 6 e 20 de abril de 1994.
massacre de inocentes
O ex-fugitivo teria "participado diretamente no planejamento e execução do massacre", segundo o tribunal, "em particular ao adquirir e distribuir gasolina para incendiar a igreja com os refugiados dentro".
"Quando isto falhou, Kayishema e outros usaram um 'bulldozer' para derrubar a igreja, enterrando e matando os refugiados dentro", acrescentou.
Kayishema e outros supervisionaram a transferência de cadáveres do terreno da igreja para valas comuns nos dois dias seguintes.
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A detenção de Kayishema "garante que será levado a tribunal pelos crimes de que é acusado", disse o procurador do órgão judicial, Serge Brammertz, citado no comunicado.
"Hoje é um dia dedicado à memória das vítimas e sobreviventes do genocídio" que, 29 anos depois, "continuam carregando as cicatrizes físicas e mentais de seu sofrimento", acrescentou.
Kayishema usou vários pseudônimos e documentação falsa para esconder sua identidade e contou com "uma rede de apoio de confiança" para não ser encontrado, segundo os promotores.
Entre os apoios estão membros de sua família, membros das ex-Forças Armadas Ruandesas e das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda.
A detenção ocorreu em Paarl, durante uma operação com as autoridades sul-africanas, após uma longa investigação realizada em vários países.
Muitos ruandeses foram condenados pela Justiça de seu país, por tribunais internacionais ou de países ocidentais, por atos relacionados ao genocídio dos tutsis em 1994.
O TPIR já condenou 62 pessoas. Outros, como Augustin Bizimana, um dos principais cérebros do massacre, morreram antes do julgamento pela justiça internacional.
Os juízes da ONU suspenderam em março o processo de Félicien Kabuga, suposto tesoureiro do genocídio ruandês em 1994, para decidir se o estado de saúde do réu permite que ele seja julgado.
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