União Africana denuncia uso de "escudos humanos" na República Centro-Africana
Internacional|Do R7
Nairóbi, 1 abr (EFE).- A Missão da União Africana na República Centro-Africana (MISCA) denunciou nesta terça-feira a utilização de civis como "escudos humanos" durante os enfrentamentos com milícias cristãs "Anti-Balaka" no sábado na capital do país. Quatro pessoas morreram e 21 ficaram feridas em enfrentamentos destes grupos armados com a MISCA no bairro PK12 de Bangui. O chefe da MISCA, o general Martin Tumenta, denunciou em comunicado que os soldados da União Africana foram vítimas de uma emboscada. Desde dezembro, as milícias cristãs "Anti-Balaka" realizam uma campanha contra os partidários do Seleka, em represália pelos abusos cometidos por este grupo rebelde em sua chegada ao poder, em março de 2013. "É inaceitável para todo grupo ou indivíduo disparar contra os soldados de paz", declarou o chefe da MISCA. O comboio voltava do quartel-general da MISCA em M'Poko, em Bangui, com armas confiscadas das milícias na cidade de Kanga-Bandoro, no norte do país, quando foram vítimas de "uma emboscada feita por homens não identificados" no bairro PK12 da capital. Os atacantes abriram fogo "deliberadamente" sobre os soldados da MISCA, dois dos quais, integrantes do contingente do Chade, ficaram feridos. "Os soldados de paz responderam em legítima defesa", acrescentou Tumenta. Este incidente ocorre menos de uma semana depois que as tropas africanas foram atacadas e um de seus soldados, procedente da República Democrática do Congo, morreu, e outros nove ficaram feridos. Desde o início da onda de violência em dezembro, quase um milhão de pessoas foram forçadas a fugir na República Centro-Africana, das quais mais de 650 mil são deslocados internos e cerca de 300 mil se refugiam em países vizinhos, especialmente no Chade e Camarões. Trata-se em sua maioria de muçulmanos que fogem dos ataques das milícias cristãs "Anti-Balaka", grupos de civis armados que desde dezembro realizam uma campanha contra os partidários do Seleka, em represália pelos abusos cometidos por este grupo rebelde durante sua chegada ao poder. Os enfrentamentos levaram a uma espiral de violência sectária e religiosa em um país majoritariamente cristão. EFE dgp/ff













