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Uruguai e Argentina: uma parceria conflituosa

Internacional|Do R7

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Montevidéu, 5 abr (EFE).- Apesar da típica cordialidade, as relações entre os presidentes José Mujica, do Uruguai, e Cristina Kirchner, da Argentina, passaram por "altos e baixos" nos últimos anos até a polêmica gerada na última quinta-feira pela divulgação de um comentário depreciativo feito pelo uruguaio em relação à argentina e a seu falecido marido, Néstor Kirchner. Os veículos de imprensa uruguaios publicaram ontem em suas páginas na internet um trecho da fala de Mujica - fora do microfone - durante uma entrevista coletiva na qual disse que "esta velha é pior que o vesgo", além de utilizar outras expressões ofensivas para se referir a Cristina e a Néstor Kirchner, que foi presidente da Argentina entre 2003 e 2007. A Chancelaria da Argentina lamentou "profundamente", por meio de um comunicado, as declarações do líder uruguaio, as quais considerou "inaceitáveis". Além disso, advertiu que Cristina não vai se pronunciar a respeito do ocorrido. Há 20 meses, Mujica afirmou que, "em 50 anos, os uruguaios jamais haviam estado tão próximos da Argentina", ao reinstalarem, junto com Cristina, a ligação ferroviária entre os dois países, interrompida 30 anos antes. O chefe de Estado garantiu ainda que o país vizinho "é o único lugar do mundo" onde os uruguaios "não se sentem estrangeiros". "Por isso, quando temos que fugir, vamos para lá", reiterou Mujica em referência aos milhares de uruguaios radicados na Argentina por motivos econômicos, além daqueles que emigraram após o golpe de Estado de 1973. Já a presidente da Argentina disse que ambos os governos "continuam a apostar na grande pátria" em processo de integração, e que "argentinos e uruguaios são quase iguais" Duas semanas antes dessa declaração, em meados de agosto de 2011, Cristina garantiu que Mujica foi "o primeiro líder" a ligar para parabenizá-la por sua vitória nas eleições. "O primeiro líder que me ligou foi 'Pepe' Mujica, um beijo para 'Pepe'. Gosto muito dele e vou fazer uma visita no dia 29", declarou ela durante uma entrevista coletiva. Antes, as relações entre os governos da Argentina e do Uruguai ficaram estremecidas por vários anos devido à construção da fábrica de celulose da UPM (ex-Botnia) na margem uruguaia do rio Uruguai. As autoridades argentinas se opuseram devido aos riscos de contaminação das águas e de toda a região. A disputa se transformou em um longo julgamento na Corte Internacional de Justiça de Haia e agravou a relação entre os governos dos então presidentes Néstor Kirchner e Tabaré Vázquez (2005-2010), que foi a mais conturbada, em décadas. Vázquez chegou a se pronunciar sobre a possibilidade de iniciar um conflito armado com a Argentina pela instalação da fábrica de celulose. Em 2011, Vázquez revelou que, em meio a essa crise, conversou com o na época presidente dos EUA George W. Bush sobre a possibilidade de receber apoio em caso de "um conflito bélico" com o país vizinho, o que gerou críticas por parte da oposição e do governo argentino na época. Pouco antes do fim do mandato de Vázquez, e com Mujica como candidato da coalizão de esquerda Frente Ampla, o presidente publicou um livro no qual se refere aos Kirchner como "um casal de esquerda que, 'mamma mia', é uma gangue". Apesar disso, após a chegada de Cristina ao poder, em 2007, as relações entre os dois países começaram a melhorar e se normalizaram após a posse de Mujica no dia 1º de março de 2010. Desde então, o governante uruguaio teve várias reuniões formais e informais com a presidente argentina, incluindo viagens não planejadas a Buenos Aires para tratar de assuntos comerciais. Mesmo assim, no final do ano passado, duros comunicados foram emitidos em relação à dragagem do Rio da Prata e a uma suposta tentativa de suborno de funcionários uruguaios. Mas alguns traziam mensagens de agradecimento pelo apoio de Mujica à reivindicação argentina pela soberania das ilhas Malvinas. EFE jf/apc/id

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