Uruguai quer se transformar em potência alimentícia mundial, afirma chanceler
Internacional|Do R7
Pedro Damián de Diego. Montevidéu, 19 ago (EFE).- O Uruguai quer continuar sendo considerado como a "Suíça da América", mas também pretende se transformar em um fornecedor mundial de alimentos de qualidade, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores do país, Rodolfo Nin Novoa, em entrevista à Agência Efe. Novoa disse que o Uruguai é capaz de fornecer alimentos a 30 milhões de pessoas, número muito superior à atual população do país, que possui 3,5 milhões de habitantes. Além disso, o chanceler destacou a força e a firmeza democrática das instituições uruguaias. O ministro, que preside o Instituto Uruguai XXI, responsável pela promoção econômica internacional e do pavilhão na Exposição Mundial de Milão, defendeu a presença do país em um evento desse tipo. Pela primeira vez, o Uruguai se apresenta com stand próprio, como parte de sua estratégia de inserção global. O chefe da diplomacia uruguaia afirmou que a missão do governo é promover o país pelo mundo e que, por isso, a Expo de Milão "é uma vitrine muito grande para completar esse objetivo". "O mundo quer saber o que está comendo. O Uruguai pode garantir a rastreabilidade de seus alimentos e a inocuidade desse processo ajuda", destacou o ministro. Novoa destacou como exemplo o sistema tecnológico para acompanhar a evolução de um novilho desde o nascimento até a carne que chega aos restaurantes. Dessa forma, é possível saber até mesmo "o nome e o rosto do produtor que o criou". Perguntado sobre a capacidade do Uruguai para ser reconhecido internacionalmente também por outros elementos, Novoa ressaltou que a ideia do final do século XIX, de se tornar a "Suíça da América", segue em vigor "do ponto de vista da institucionalização democrática e de seus órgãos de representação". "É muito difícil ver em outro país políticos de partidos diferentes realizando atividades conjuntas. Isso só ocorre aqui, é um fator diferencial. Assim como fomos o primeiro (país) da América a permitir o voto feminino", destacou. "O sistema político uruguaio é muito respeitoso com as normas, com os comportamentos e com as discussões. Os debates são encarados em grande nível. Ele está ligado ao direito internacional, à solução pacífica das controvérsias, à contribuição para a paz e à participação em missões de paz no mundo, nas quais o Uruguai tem um grande prestígio", acrescentou Novoa. O ministro também ressaltou a natureza progressista do atual governo, comandado pelo presidente Tabaré Vázquez, classificado por ele como "de esquerda, mas sensato". "(O governo) olha a realidade universal, não se apega a dogmas e é capaz de se introduzir nos becos mais profundos da discussão política, econômica ou social do mundo", completou. Sobre o trabalho do Uruguai XXI, Novoa destacou sua própria atuação na promoção internacional do país e afirmou que o fato de órgão estar ligado ao ministério comandado por ele não é casual. "O trabalho se baseia na estrutura da própria chancelaria, com 53 representações diplomáticas que dão suporte à difusão dos valores culturais, econômicos e sociais do Uruguai". "O Uruguai é um país que necessariamente tem que sair vendendo seus produtos para um mundo complexo e competitivo, no qual outros grandes 'players' movimentam suas fichas. Às vezes, eles nos incomodam um pouco, como quando não podemos avançar nos tratados de alívio tarifário", indicou o ministro, citando o exemplo da parceria entre Nova Zelândia e Austrália com a China. "Eles assinaram tratados de livre-comércio e têm mais facilidades de acesso, enquanto nós temos que pagar tarifas, enfrentar mais fretes e mais seguros, algo que deixa nossa produção um pouco mais cara. Isso só é compensando pela nossa qualidade, que é uma garantia para os consumidores", concluiu o chanceler. EFE pddp/lvl (foto) (vídeo)











