Logo R7.com
RecordPlus

Venezuela busca ordem política dois meses depois da morte de Chávez

Internacional|Do R7

  • Google News

José Luis Paniagua. Caracas, 5 mai (EFE).- Dois meses depois da morte de Hugo Chávez em decorrência de um câncer, a Venezuela busca uma nova ordem política imersa em um profundo clima de atrito após eleições que deram uma estreita vitória a Nicolás Maduro e que foram impugnadas pela oposição. Sem a direção do homem que marcava a agenda, os tempos e a temperatura política do país, Maduro tenta levar adiante a revolução bolivariana em um cenário no qual a oposição volta a pôr em cima da mesa as denúncias e reivindicações sobre o manejo eleitoral e institucional que Chávez escureceu durante anos. Chávez morreu há exatamente dois meses de um câncer contra o qual batalhou durante pouco mais de 20 meses, uma doença que não lhe impediu ganhar as eleições presidenciais em outubro, mas que acabou com a liderança de um processo que procura um caminho sem ele com um minguado capital político após as eleições de 14 de abril. Maduro reiterou insistentemente que ele não é Chávez, mas que é "seu filho"; no entanto, mais de 700 mil venezuelanos que votaram no líder bolivariano em outubro decidiram apostar no opositor Henrique Capriles, e o país entrou em uma situação de polarização que analistas esperavam que demorasse mais a aparecer. "As circunstâncias fizeram com que o país esteja se movimentando rumo a um cenário que estávamos esperando, mas que se precipitou, que é o cenário bipolar", declarou à Agência Efe Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisa Datanálisis. Discursos fortes por parte do governo, enfrentamentos inclusive físicos na Assembleia Nacional, onde vários deputados foram gravemente agredidos (principalmente da oposição) e a falta de reconhecimento opositor às eleições de abril apimentaram o ambiente de crise política. O apertado resultado eleitoral, que na oposição asseguram que lhes favoreceu há três semanas, deixa um país dividido em duas metades praticamente iguais. Para León, essa é uma situação nova já que Chávez ganhava com 10, 15 ou 20 pontos de vantagem e a relação que tinha com a população era "óbvia", mas em um cenário de resultado apertado, a falta de equilíbrio, transparência e o uso dos recursos públicos por parte do governo "marcam a diferença" em um pleito. Agora, em sua opinião, a oposição deve cuidar até onde chega nessa reivindicação porque é a primeira interessada em ter viva a esperança de uma eleição. A chegada ao poder de Maduro torna inevitável a comparação com Chávez. Com um carisma inferior ao de seu mentor, menos experiência e uma legitimidade muito mais débil, a Venezuela tem pela primeira vez um tabuleiro de jogo incerto. "Chávez era o enxadrista, o dono do tabuleiro, tinha a capacidade não somente de conduzir suas peças, mas manejava e calculava as do adversário (...) e, além disso, no momento em que queria movimentar o tabuleiro o movimentava, porque tinha a capacidade, a habilidade e a legitimidade que lhe dava o apoio popular", declarou à Efe o analista político Nícmer Evans. O também professor da Universidade Central da Venezuela ressaltou que "a reconstrução da confiança e da liderança de Hugo Chávez não foi fácil" para Maduro, ainda mais em um entorno no qual a oposição tentou pescar no rio revolto e conseguiu algumas vitórias importantes. Evans, que considera que há ânimo de desconhecimento paulatino de todos os poderes do Estado por parte da oposição, assinala que o governo foi "muito reativo" ao responder de maneira muito imediata todas as situações que surgiram desde as eleições. "Em política é preciso atender as coisas reativas muitas vezes com a estratégia contrária, que é deixar repousar e reagir de maneira muito mais sossegada", opinou. Mas o cenário venezuelano vai além do meramente político e no econômico as tensões não parecem tão graves. Pelo contrário, Maduro sentou com os empresários para buscar soluções em assuntos como a falta de divisas, o desabastecimento e a inflação. Para León há uma "bipolaridade" entre o político e o econômico e Maduro adotou iniciativas "oxigenadoras" na economia. "No plano econômico vai ser mais fácil com Maduro que com Chávez", concluiu. EFE jlp/rsd

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.