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Venezuela entra em clima de incerteza com morte de Chávez

Internacional|Do R7

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José Luis Paniagua. Caracas, 17 dez (EFE).- O ano de 2013 ficará para sempre na história da Venezuela como o da morte de Hugo Chávez, o controverso, polêmico e carismático homem que mudou o rumo da política no país e o deixou imerso em uma polarização que cobre o futuro de incertezas. No último dia 5 de março, Chávez perdeu a batalha contra o câncer. Pouco mais de 20 meses após informar que tinha uma doença rodeada de segredos e que gerou uma infinidade de conjeturas e hipótese sérias e complexas, o homem que governou a Venezuela desde 1999 passava para a história. Os venezuelanos não sabem oficialmente qual foi a causa clínica da morte, nem o diagnóstico exato do tipo de tumor que o atingiu na região pélvica tornando inúteis quatro ciclos de quimioterapia e um longo tratamento de radioterapia. O presidente Nicolás Maduro, que Chávez tinha deixado como seu sucessor, só voltou a se referir ao tema para assegurar que o mal tinha sido inoculado no paciente e que poderia ter sido induzido pelos inimigos de Chávez. Chegou a prometer uma investigação que, por enquanto, ficou somente na promessa. A doença do governante deu uma reviravolta radical na política venezuelana desde junho de 2011, ao mudar as perspectivas de um país no qual Chávez não tinha data de "validade" e inclusive garantia um novo governo até 2019 nas eleições de outubro do ano passado. No entanto, o que começou com algumas ausências temporárias terminou se transformando em um adeus definitivo. A falta do presidente pôs o país diante de uma crítica prova institucional sem previsões específicas na Constituição para o caso da destituição ou posse de um presidente eleito muito doente e a gestão de todo este transe por parte do governo. Como é habitual, a situação terminou se complicando e gerando todo tipo de acusações da oposição e chavistas pelas interpretações que foram feitas da Constituição. Em 5 de março, pouco antes das 16h30 (horário local), Maduro aparecia na televisão para informar que Chávez acabava de morrer. A morte do criador de uma doutrina política que definia como "bolivarianismo" e também como socialismo do século 21 foi acompanhada por uma semana de luto nacional. Centenas de milhares de pessoas prestaram homenagem perante o caixão e mais de 30 chefes de Estado e governantes estrangeiros assistiram ao funeral de Hugo Chávez. Sem tempo para refletir, a Venezuela se lançou de novo a uma disputa eleitoral para escolher um sucessor. As eleições voltaram a deixar aparente a profunda polarização e divisão que vive a sociedade, terminando com uma diferença entre o ganhador, Nicolás Maduro, e o candidato opositor Henrique Capriles de apenas 223.599 votos, com mais de 15 milhões apurados. O resultado não foi reconhecido por Capriles, que exigiu uma apuração dos votos (auditoria, já que na Venezuela o sistema de votação é eletrônico) revisando os cadernos de votação e as atas para verificar que o número de votos correspondia com os eleitores registrados. O Conselho Nacional Eleitoral fez uma revisão de todos os votos, mas não concordou em revisar os cadernos, considerado adequado todo o sistema de controle da votação. Os dias imediatamente posteriores à eleição foram de grande agitação e o governo responsabilizou diretamente Capriles de 11 mortes em incidentes em diferentes pontos do país. O líder opositor atribuiu ao próprio Executivo esses incidentes, negou qualquer relação com atos de violência e convocou a população para protestar pacificamente com panelaços noturnos que foram se silenciando com o passar dos dias. Maduro liderou um governo muito agressivo contra os críticos, a oposição, a imprensa e o empresariado. O contexto piora paulatinamente com uma economia ferida por uma inflação disparada (mais de 50% ao ano) que foi esfriando o crescimento passando de 5,6%, em 2012, para 1,4% ao término dos três primeiros meses deste ano. Em apenas sete meses de governo, Maduro protagonizou uma presidência cheia de lembranças com comentários tão pouco comuns como o que Chávez tinha aparecido em forma de passarinho ou que em algumas noites passa no lugar em que descansam os restos mortais de seu mentor político. Maduro embarcou em uma guerra contra os altos preços para a qual mobilizou militares e milícias. Além disso, prometeu uma batalha contra a corrupção durante 2014 que não acaba nem com a dúvida nem com a incerteza que pairam sobre o país que ainda tenta encontrar seu caminho após Chávez. EFE jlp/cdr-rsd

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