Venezuela expulsa três diplomatas dos EUA sob acusação de instigar protestos
Internacional|Do R7
Por Girish Gupta e Brian Ellsworth
CARACAS, 17 Fev (Reuters) - A Venezuela ordenou a expulsão de três diplomatas norte-americanos nesta segunda-feira sob a acusação de recrutar estudantes universitários para liderar manifestações que resultaram na morte de três pessoas, no mais grave episódio de violência desde a eleição do presidente Nicolás Maduro, em abril.
O ministro de Relações Exteriores, Elías Jaua, disse que os três membros da equipe consular recorreram a visitas a universidades para a concessão de vistos como pretexto para encobrir a promoção de protestos por parte dos estudantes de oposição, acrescentando que eles teriam de sair do país dentro de 48 horas.
As manifestações, que energizaram a oposição, mas mostram poucos indícios de que irão derrubar Maduro, continuaram nesta segunda-feira com protestos espalhados por Caracas e várias cidades do interior.
"Eles estavam visitando universidades com o pretexto de conceder vistos", disse Jaua, que costumava entrar em confronto com a polícia nos tempos de estudante, quando participava de manifestações.
"Mas isso é uma fachada para fazerem contatos com líderes (estudantis) para lhes oferecer treinamento e financiamento e assim criar grupos de jovens que provocam violência", disse ele a repórteres.
Representantes da Embaixada dos EUA não estavam disponíveis de imediato para comentar o assunto.
Nos últimos anos, a Venezuela expulsou em várias ocasiões diplomatas dos EUA, pois o relacionamento entre os dois países se deteriorou durante os 14 anos de governo do falecido líder socialista Hugo Chávez.
Maduro expulsou três diplomatas em outubro, acusando-os de estimular protestos de trabalhadores, e outros dois no dia em que Chávez morreu de câncer, em 2013. Críticos qualificam tais medidas como encenações adotadas em momentos de comoção nacional para desviar a atenção de questões mais sérias.
PROTESTOS
Os estudantes envolvidos nos protestos prometem permanecer nas ruas até a renúncia de Maduro, embora o presidente, de 51 anos, ex-motorista de ônibus, tenha afirmado que não vai ceder sequer "um milímetro" de poder.
Ele fez um chamado a seus partidários para que abafem os protestos com dança e música nas ruas.
As manifestações em Caracas se limitam às regiões mais ricas da cidade, e não há nenhuma indicação de que os venezuelanos irão unir-se em massa aos protestos, nem que Maduro possa ser forçado a deixar o poder.
Pequenas manifestações na manhã desta segunda-feira bloquearam as principais avenidas de vários bairros nobres de Caracas.
O líder oposicionista Leopoldo López, procurado pela polícia por acusações que incluem terrorismo, relacionadas aos recentes episódios de violência, pediu aos estudantes que se unam a ele em uma passeata no centro de Caracas na terça-feira. Ele disse que depois irá se entregar.
(Reportagem adicional de Javier Farias, em San Cristóbal; Carlos García Rawlins e Jaczo Gómez, em Caracas)











