Venezuela se acostuma à ausência e ao silêncio de Chávez
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 8 fev (EFE).- O Governo venezuelano assegurou que o presidente Hugo Chávez está no comando do país, ao se completar nesta sexta-feira dois meses desde que anunciou que devia de novo ser operado de um câncer em Cuba, onde até agora continua em tratamento. "O comandante Chávez está no comando e sua grande preocupação e sua, poderíamos dizer, grande concentração de esforços que nos pediu é no tema econômico", afirmou o vice-presidente Nicolás Maduro durante um ato oficial transmitido pela televisão estatal. "Minutos" após aterrissar procedente de Havana, onde visitou o governante, Maduro assegurou que Chávez "é o chefe supremo da revolução e são organizadas as consultas sobre as questões-chave para que tenha tempo de avaliá-los, sempre respeitando seu tratamento". O vice-presidente falou da preocupação de Chávez com o desempenho da economia, mas sobre a evolução clínica do paciente nem uma palavra. O silêncio se instalou nos últimos dias no Governo, que não faz uma comunicação oficial sobre as condições médicas desde o último dia 26 e se limita a assinalar de maneira indefinida que há uma melhoria do estado do chefe de Estado. No entanto, os venezuelanos vivem com normalidade a ausência e o silêncio de Chávez, que foi reeleito para um novo período presidencial (2013-2019) em outubro do ano passado. Maduro confirmou na semana passada que Chávez já tinha superado a etapa pós-operatória, algo que ele mesmo tinha comentado dias antes, quando disse que o líder "saiu do pós-operatório e vai entrar em uma nova fase de tratamentos que está em processo de avaliação". Na quinta-feira à noite na rede social Twitter, o ministro das Relações Exteriores, Elías Jaua - que acompanhou Maduro e a procuradora-geral, Cilia Flores, na visita a Cuba - disse que o presidente continua "em batalha". "Nicolás, Cilia e eu acabamos de terminar um encontro profundamente humano, formoso com nosso comandante Chávez. Está em batalha...!", assinalou Jaua. A visita de Maduro, Jaua e Flores transcorreu no meio do habitual segredo, que só se viu quebrado com imagens dos visitantes levando as imagens de duas virgens para o governante. Não se soube nada mais até a manifestação de hoje do vice-presidente. Assim, a última informação oficial sobre a evolução clínica do presidente da Venezuela é do dia 26 de janeiro, quando o ministro de Comunicação, Ernesto Villegas, informou do Chile, onde participava da Cúpula da Celac, que Chávez tinha superado uma infecção grave. Villegas assinalou que "a evolução geral do paciente" era "propícia", após superar a infecção pulmonar, embora persistisse "certo grau de insuficiência respiratória", e que se tinha começado a aplicar "tratamento médico sistêmico para a doença de base como complemento à cirurgia do dia 11 de dezembro". Superados os trâmites que impunha o dia 10 de janeiro, dia do juramento do novo período presidencial, com uma controvertida decisão do Tribunal Supremo que dá carta branca para que Chávez se mantenha em Cuba até que se recupere e para que seu Governo continue, o Executivo atua sem pressas. Dois meses depois que Chávez o designou publicamente como seu herdeiro político, Maduro lidera uma infinidade de atos que, como acontecia com o presidente, são transmitidos pela televisão do Estado, na qual também não cessam as mensagens sobre a obra, palavras e programas do governante, de 58 anos. O vice-presidente teve um papel preponderante nas comemorações do dia 4 de fevereiro, 21º aniversário da fracassada tentativa de golpe de Estado de Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, da mesma forma que o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, orador habitual também em atos públicos. Enquanto isso, o chavismo colocou no centro da agenda política supostos casos de corrupção por parte da oposição. Hoje mesmo deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Chávez, pediram ao Tribunal Supremo a tomada de medidas contra os acusados. Analistas locais veem essas denúncias como um movimento pré-eleitoral, perante a possibilidade de que o presidente não possa reassumir suas funções e, assim, se deveria convocar eleições presidenciais. "As comunicações estão, por um lado, elevando o presidente Chávez à categoria de ícone, de mito ou de herói; por outro lado estão legitimando Nicolás Maduro", disse à Efe o analista John Magdaleno. "Há muitos sinais que me permitem inferir que o Governo poderia estar prevendo o cenário de uma eventual eleição presidencial, para a qual faria falta legitimar a candidatura e a liderança de Maduro", acrescentou o professor do Instituto de Estudos Superiores de Administração. EFE jlp/ma (foto)












