Venezuela se despede de Chávez, por enquanto
Internacional|Do R7
(Atualiza com o descarte definitivo da ideia de embalsamamento de Chávez). José Luis Paniagua. Caracas, 15 mar (EFE).- A Venezuela deu nesta sexta-feira seu último adeus ao falecido presidente Hugo Chávez com a mudança de seu corpo da Academia Militar para o quartel onde comandou um golpe de Estado fracassado em 1992, entre promessas e o juramento de seu herdeiro político, Nicolás Maduro, de voltar a visitar seu corpo como presidente. O corpo de Chávez foi transferido em um cortejo fúnebre após um dia de discursos e lágrimas de milhares de seguidores que, mais uma vez, estavam presentes para render homenagens ao homem que governou o país de 1999 e até o último dia 5 de março. Para trás ficaram nove dias de filas intermináveis e lágrimas de centenas de milhares de pessoas que vieram de todas as partes do país para ver o governante por apenas alguns segundos. O ambiente pré-eleitoral, que já tomou conta do país após o anúncio da data das eleições que vão determinar quem vai completar os cinco anos do mandato de Chávez, fez hoje um parêntese em relação à oposição, que assistiu em silêncio aos acontecimentos da capital Caracas. Maduro, o presidente interino da Venezuela, afirmou hoje que começou a campanha sem Hugo Chávez, mas prometeu retornar e visitar o falecido governante em um mês, quando ganhar as eleições presidenciais de 14 de abril. "Aqui estamos neste ponto do caminho em que chegamos com o senhor à frente e, hoje, iniciamos a marcha sem o senhor presente, mas com o senhor à frente", disse Maduro. Com a presença do presidente boliviano Evo Morales, o único chefe de Estado estrangeiro no ato, Maduro afirmou que "nosso comandante supremo, com seus ideais iluminados, com o seu exemplo estará sempre à frente das grandes causas da pátria venezuelana, da pátria latino-americana, da pátria caribenha". "Dentro de um mês exatamente juro que voltarei aqui com meus companheiros e companheiras, com seus filhos, no dia 15 de abril, segunda-feira, vamos amanhecer aqui, comandante, após a decisão do povo. Só peço a Deus que ilumine o nosso povo e nos dê força para cumprir suas ordens", acrescentou. Maduro discursou no encerramento da cerimônia de despedida do corpo de Chávez, que percorreu um cortejo fúnebre por toda a cidade até chegar ao Quartel da Montanha, lugar em que o governante estabeleceu seu posto de comando durante a tentativa fracassada de golpe de Estado contra Carlos Andrés Pérez em 1992. Chávez ganhou notoriedade pública após assumir o fracasso do golpe em uma mensagem televisiva garantindo que, "por enquanto", os objetivos não tinham sido atingidos. O presidente interino afirmou que aquela tentativa de golpe de Estado foi "a rebelião militar popular mais importante da história da Venezuela" desde o dia 19 de abril de 1810, quando foi instalada a primeira junta de governo autônomo. Do caixão, colocado em um sepulcro denominado "La Flor de los Cuatro Vientos" ("A Flor dos Quatro Ventos"), Maduro pegou a bandeira da Venezuela que estava sobre ele durante o dia todo e a entregou à família. María Gabriela, filha do governante, e Adán, seu irmão, tomaram a palavra e se emocionaram em seus discursos. Morales também falou e destacou que Chávez não era um ditador, pois não impôs critérios e pediu que o falecido governante continue sendo uma "fonte de inspiração" para seus seguidores. Por enquanto, só se sabe que o corpo de Chávez não será mais embalsamado, pois a ideia foi definitivamente descartada depois que o governo recebeu um relatório de uma comissão médica russa afirmando que, para realizar o procedimento, os restos mortais do governante deveriam ficar na Rússia por, pelo menos, sete meses. "Está descartada a opção de embalsamar o corpo do Comandante Chávez depois do relatório de uma comissão médica russa", informou o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, através do Twitter. Maduro tinha reconhecido recentemente que era bastante difícil que o corpo de Chávez fosse embalsamado, como havia sido anunciado, ainda resta saber qual será o destino definitivo de seus restos mortais. O governo anunciou que fará com que Chávez seja sepultado no Panteão Nacional, para descansar junto de Simón Bolívar. Entretanto, na terça-feira passada, não foi apresentada a esperada emenda constitucional para que isso seja possível, pois estavam estudando os "mecanismos" para isso. Por enquanto o corpo de Chávez ficará no Quartel da Montanha, no popular bairro 23 de Janeiro EFE jlp/rpr (foto) (vídeo)











