Venezuela se veste de vermelho para despedir-se de Chávez
Internacional|Do R7
Laura Barros e Aldo Rodríguez. Caracas, 6 mar (EFE).- As ruas de Caracas se tingiram de vermelho nesta quarta-feira durante a passagem do caixão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acompanhado por um mar de fervorosos seguidores em seu percurso do hospital à Academia Militar de Caracas, onde foi instalada uma capela. O cortejo fúnebre de Chávez, que morreu ontem aos 58 anos por causa de um câncer, foi acompanhado por milhares de pessoas que se postaram ao longo dos 6,3 quilômetros de um trajeto que levou mais de cinco horas e foi liderado pelo vice-presidente, Nicolás Maduro, e pelo presidente da Bolívia, Evo Morales. A saída do Hospital Militar de Caracas, para onde foi levado o chefe de Estado no dia 18 de fevereiro em seu retorno de Cuba após permanecer internado mais de dois meses na ilha, foi transmitido em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão. Milhares de venezuelanos choraram em frente aos televisores e ao verem a passagem do caixão, como inicialmente fez de maneira desconsolada a mãe de Chávez, Elena, na saída do hospital. Escoltado também por membros da Guarda de Honra Presidencial, o carro fúnebre com o caixão de Chávez coberto com a bandeira da Venezuela avançou pelas ruas do centro de Caracas de forma cerimoniosa, em meio a uma maré vermelha que lhe mandou beijos e lhe prometeu fidelidade e amor eterno, sob um sol inclemente. As mostras de pesar, que não puderam dissimular nem os militares que resguardavam a segurança dos cidadãos nem os próprios ministros, contrastaram com a música e as palavras de ordem que não deixaram de soar neste dia triste. Antes de chegar à Academia, o veículo atravessou em seu último trecho o passeio de Los Próceres, que faz parte do complexo Fuerte Tiuna, onde também está a Academia Militar, e onde Chávez muitas vezes realizou diversos atos militares. Os atos fúnebres começaram com o retumbar dos canhões a cada hora em todos os destacamentos e embarcações militares, desde que na manhã de hoje foram disparadas 21 salvas em memória do comandante-em-chefe, cargo militar reservado ao chefe do Estado. "Não haverá toques (militares) fúnebres" e, em vez disso, Chávez, que antes de ocupar a presidência chegou a tenente-coronel no Exército, "será homenageado com os toques militares que em vida o enchiam de força e lhe incentivavam o espírito pela pátria", anunciou o ministro da Defesa, almirante Diego Molero. O deputado e ex-prefeito de Caracas, Freddy Bernal, propôs hoje que, pela "altura política" e "consagração à pátria", o presidente seja sepultado no Panteão Nacional, no centro de Caracas, onde está o túmulo de Simón Bolívar e outros heróis nacionais. A possibilidade foi elogiada pelo ministro da Defesa, que concordou com Bernal que sua concretização constituiria uma exceção ao que permite a Constituição. A Carta Magna estabelece que tal honra está reservada a "venezuelanos e venezuelanas ilustres que tenham prestado serviços eminentes à República após 25 anos de seu falecimento". O ministro de Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, disse que o funeral previsto para a sexta-feira contará com a presença de "cerca de dez chefes de Estado". "Uma Venezuela com presidentes amigos e aliados por todo o mundo, uma Venezuela respeitada e querida pela totalidade dos povos do mundo e por quase a totalidade dos presidentes do mundo é outro legado que nos deixa o presidente Chávez", comentou o chefe da diplomacia venezuelana. Os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner; Uruguai, José Mujica, e Bolívia, Evo Morales, foram os primeiros a chegar à Venezuela para acompanhar o funeral. Ao comentar a situação no país, o comandante do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Boliviariana (FANB), general Wilmer Barrientos, confirmou que "há paz em todo o território nacional" e indicou que "não foi registrado nenhum fato de violência". EFE arv/rsd (foto)











