Logo R7.com
RecordPlus

Venezuelanos decidem em eleição o futuro da política "chavista"

Internacional|Do R7

  • Google News

Por Daniel Wallis e Todd Benson

CARACAS, 14 Abr (Reuters) - Os venezuelanos foram às urnas neste domingo para decidir se cumprirão o último desejo de Hugo Chávez, de que um fiel aliado dê prosseguimento ao seu programa de governo socialista, ou se entregam o poder a um jovem político que promete administrar o país com foco nos negócios.


O presidente interino, Nicolás Maduro, tem uma vantagem de dois dígitos na maioria das pesquisas de intenção de voto, em grande parte graças ao apoio que Chávez lhe manifestou antes de morrer de câncer, no mês passado.

Mas a diferença entre os dois candidatos diminuiu nos últimos dias de campanha, e uma das pesquisas aponta vantagem de apenas 7 pontos percentuais para Maduro.


Apoiadores de Maduro mobilizaram eleitores em vários bairros pobres de Caracas, onde Chávez é reverenciado como herói dos pobres, enviando mensagens para que os cidadãos fossem votar.

Filas formaram-se em volta de centros de votação, mas muitas foram notavelmente mais curtas do que as vistas na eleição de outubro do ano passado, quando Chávez derrotou Capriles.


Governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, diz que os venezuelanos estão cansados das políticas divisionistas dos chavistas e que o apoio que vem obtendo cresceu a ponto de lhe garantir uma surpreendente vitória nas urnas.

Após queixas da oposição de que algumas pessoas estavam ilegalmente ajudando idosos a colocar seus votos nas urnas, Capriles pediu que seus seguidores denunciassem quaisquer violações às leis eleitorais. Mas ele também salientou que vai respeitar o resultado da votação, qualquer que seja.


"Hoje, todos os venezuelanos são repórteres. Se vocês virem algo irregular, tirem uma foto, coloquem nas redes sociais", disse Capriles após a votação. "Mas que não fique dúvida: vamos respeitar a vontade do povo".

Autoridades eleitorais disseram que a votação estava avançando sem problemas e que não havia sinais de irregularidades. Dado o ambiente de desconfiança dos dois lados, algumas pessoas se preocupam que uma votação apertada possa gerar conflitos.

Maduro, de 50 anos, ex-motorista de ônibus, enfatiza em todos os comícios a sua origem na classe trabalhadora e promete, se eleito, levar adiante o "socialismo do século 21" de Chávez.

"Estamos trabalhando para ter uma vitória gigante. Quanto maior a margem, mais pacífico será o país", disse Maduro, homem de porte robusto. "Se a diferença for pequena, será somente porque eles (a oposição) conseguiram confundir um grupo de venezuelanos".

O vencedor herdará o controle das maiores reservas de petróleo do mundo em uma nação cuja profunda polarização política é um dos muitos legados de Chávez.

Também está em jogo a generosa ajuda econômica concedida por Chávez a governos de esquerda na América Latina, como Cuba e Bolívia.

Os dois lados fizeram um chamado a seus seguidores para votarem cedo e estarem alertas para a possibilidade de fraudes. Considerando a arraigada desconfiança mútua, se houver uma diferença pequena entre os candidatos ou se o resultado for contestado poderá haver distúrbios.

Na eleição presidencial de outubro, na qual Chávez obteve seu quarto mandato, o comparecimento às urnas chegou a 80 por cento. Desta vez, contudo, os dois lados avaliam que a abstenção poderá ser maior por causa da fadiga eleitoral. As primárias da oposição no ano passado se seguiram à dramática reeleição de Chávez, então convalescente, e à votação para escolha dos governadores, em dezembro.

Durante a campanha, Maduro colou sua imagem à de Chávez. Em eventos por todo o país, os seus partidários gritavam "Com Chávez e Maduro, as pessoas estão a salvo!" e "Chávez, eu te juro, eu vou votar em Maduro!".

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.