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Veteranos argentinos analisam: "No meio da disputa estão os malvinenses"

Internacional|Do R7

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Viviana García. Port Stanley, 22 mar (EFE).- Já se passaram quase 31 anos desde a Guerra das Malvinas, mas dois ex-combatentes argentinos não esqueceram os horrores do conflito nem os maus-tratos que sofreram nas mãos de seus superiores e defendem que "no meio da disputa" territorial estão os malvinenses, que "querem ser ouvidos". Gustavo Giménez, de 50 anos, e Eduardo Mirabetto, de 49, estiveram nas ilhas nesta semana durante a realização do referendo em que os habitantes do arquipélago votaram a favor de continuar como território de ultramar dependente do Reino Unido. Eles não foram pelo plebiscito em si. A visita foi uma coincidência, já que ganharam as duas viagens que todos os anos o Centro de Ex-Combatentes de Ituzaingó sorteia para que os soldados que lutaram possam ver as ilhas, contaram à Agência Efe a caminho do chamado Monte do Suicídio, a cerca de 20 quilômetros de Port Stanley e onde estão destroços de um helicóptero argentino. Enquanto o carro chacoalha pelo esburacado caminho para chegar ao monte, Gustavo conta como achou mal planejado o conflito bélico, que qualificou de "estúpido", "inútil" e "desastre logístico". "Como pude aguentar às intempéries por 65 dias?", se pergunta Gustavo, pai de três filhos de 25, 21 e 12 anos, que junto com Eduardo visitou também o cemitério argentino de Darwin. "Nós tínhamos roupas precárias que não protegiam do frio. Os militares nos maltrataram, eu perdi 15 quilos. Não havia água, era difícil conseguir combustível. E acho que não pegamos doenças por causa do frio", conta o argentino, que admite entender perfeitamente por que os malvinenses não querem que as ilhas sejam argentinas. Segundo Gustavo, que fez parte do 3ºb Regimento de Infantaria Mecanizada, os malvinenses os trataram bem porque sabiam que os soldados eram rapazes de 18 anos que faziam o serviço militar. "(Eles) nos olhavam como quem dizia: 'pobres meninos'. O povo era amável e cordial porque sabia que lidavam com meninos", acrescenta. Mas entre as lembranças daqueles dias frios e com muito vento do inverno austral, Gustavo admite que as relações entre seu país e o Reino Unido estão piores agora do que há 30 anos. "A Argentina os invadiu. O que queremos? Eles nos odeiam, não confiam na Argentina", insiste este ex-combatente, que concorda com seu companheiro que em meio à disputa está a posição dos habitantes das ilhas. Para Eduardo, pai de dois filhos, as lembranças também são difíceis. No conflito de 1982, ele trabalhava como mecânico no destróier "Segui", um navio da Segunda Guerra Mundial que estava em condições precárias - o que o obrigava a fazer consertos constantemente -, e não sabia nem onde estava ou o que estava acontecendo. Eduardo conta que os navios argentinos começaram a navegar com cautela pelo sul depois que os britânicos afundaram o cruzeiro General Belgrano, em 2 de maio de 1982, o que representou um problema para a Argentina, já que sofreu as maiores baixas. Segundo o ex-combatente, a guerra foi "dura para os dois lados", mas "em meio a tudo está essa gente que quer ser ouvida e nenhum dos dois (governos) cede". "Essas pessoas (os malvinenses) são as prejudicadas. Elas têm medo de voltar a sofrer o que sofreram. Falando, os povos se entendem, seria preciso conviver com eles como era antes da guerra, mas o tema de soberania (pela reivindicação territorial de Buenos Aires) é muito difícil", admite. Os dois veteranos lembram que os britânicos os trataram bem quando os levaram de volta a seu país no cruzeiro "Canberra", onde Gustavo trocou seu relógio por cigarros com um militar britânico, já que, após 65 dias, estava desesperado para fumar. EFE vg/tr/id (foto)

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