Violência contra jornalistas mancha Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Internacional|Do R7
Bogotá, 2 mai (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e as organizações profissionais e de direitos humanos manifestaram nesta quinta-feira a preocupação pela violência contra os jornalistas, na véspera do Dia da Liberdade de Imprensa. Ao mesmo tempo na Colômbia, foi informado hoje que um reconhecido jornalista de investigação, Ricardo Calderón, da revista "Semana", ficou ferido em um atentado contra seu automóvel, que recebeu cinco tiros em uma estrada na quarta-feira pela noite. Só nos primeiros quatro meses de 2013, foram assassinados 17 jornalistas, sete deles na Síria, quatro no Paquistão, três no Brasil, dois na Somália e um na Turquia, segundo dados do Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) que abrangem só os casos nos quais se confirmou o motivo. Em 2012, foram assassinados 70 jornalistas no total, de acordo com o CPJ. Os números divulgados hoje por outra organização, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), são até mais trágicos: 88 repórteres e 47 blogueiros assassinados no ano passado. "Condeno todos os ataques e a repressão. Estou especialmente preocupado porque muitos dos autores escapam de qualquer tipo de castigo", afirmou Ban em um ato na sede das Nações Unidas por causa do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O secretário-geral destacou que os informadores, "ao produzir matérias sobre má gestões ou violência, enfrentam Governos, corporações, grupos criminosos, milícias e outros que querem reprimir e censurar suas investigações". Ban ressaltou também que a violência e a repressão da liberdade de imprensa se estendeu além dos meios de imprensa tradicionais (imprensa escrita, rádio e televisão) e já atinge os blogs e o jornalismo cidadão. "E as ameaças não só somente físicas, os ciberataques e as manobras legislativas figuram também entre as ferramentas de coação", indicou o secretário-geral. Por isso, Ban pediu para colocar em prática o Plano de Ação da ONU para a Segurança dos Jornalistas. Precisamente hoje, a Unesco inaugurou na Costa Rica o fórum "Falar sem risco: pelo exercício seguro da liberdade de expressão em todos os meios". Jornalistas, representantes da ONU, membros dos principais organismos de defesa da liberdade de expressão, editores e acadêmicos discutirão durante três dias a situação da liberdade de imprensa e buscarão possíveis soluções à violência e outros problemas que afrontam os comunicadores. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) indicam que no mundo todo mais de 600 jornalistas foram assassinados nos últimos dez anos e apenas um crime de cada dez crimes terminou com a condenação do culpado. A coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas na Costa Rica, Yoriko Yasukawa, declarou que os números de crimes contra os jornalistas e a impunidade são "aterrorizantes" e "degradantes". A Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia e a Federação Colombiana de Jornalistas (Fecolper) condenaram hoje em comunicado o tiroteio sofrido na quarta-feira pelo repórter da revista "Semana" Ricardo Calderón, que esteva no centro de importantes investigações jornalísticas em seu país. "Não podemos falar nem comemorar o Dia da Liberdade de Expressão (amanhã) quando o efeito do medo que produzem estes atentados é uma das principais causas da autocensura no jornalismo", acrescentou a Fecolper em seu comunicado. Na lista de 39 "depredadores" da liberdade de imprensa divulgada hoje em Paris pela organização Repórteres sem Fronteiras há vários latino-americanos, entre eles o presidente cubano, Raúl Castro e o empresário hondurenho Miguel Facussé Barhum. A organização publicou também uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na qual pediu que aproveite a visita que inicia hoje ao México para exigir melhoras na situação dos jornalistas nesse país. Por sua parte, CPJ, com sede em Nova York, pediu que não fiquem na impunidade os crimes de informadores. O chamado "Índice de Impunidade" é elaborado em função do número de assassinatos não resolvidos por milhão de habitantes, e o pior registro é para o Iraque, onde os assassinatos de 93 jornalistas durante a última década ficaram impunes, seguido da Somália e Filipinas. A Colômbia ocupa o quinto posto, México o sétimo e Brasil o décimo. EFE int/ff













