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Vitória magra em Buenos Aires complica pretensões presidenciais de Macri

Internacional|Do R7

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Natalia Kidd. Buenos Aires, 20 jul (EFE).- O triunfo apertado conquistado neste domingo pelo partido conservador Proposta Republicana (Pró) para manter o governo de Buenos Aires deixou um sabor amargo para o líder dessa legenda, Mauricio Macri, que esperava obter uma vitória mais ampla para reforçar sua estratégia presidencialista. Analistas consultados pela Agência Efe concordaram em afirmar que o resultado eleitoral deste domingo no quarto maior distrito da Argentina foi uma surpresa que colocou em dúvida as pesquisas que apontam Macri como o principal candidato de oposição para disputar o poder contra o kirchnerismo nas eleições presidenciais de outubro. O inesperado não foi o triunfo no segundo turno de Horacio Rodríguez Larreta, candidato a prefeito de Buenos Aires pelo Pró e braço direito de Macri, mas ter vencido o postulante da frente de centro-esquerda Eco, Martín Lousteau, por apenas 3,3 pontos, quando as enquetes previam uma diferença de pelo menos 10 pontos. Para o analista político Rosendo Fraga, não resta dúvidas de que Pró, que governa Buenos Aires desde o final de 2007, ganhou, mas, como o resultado está abaixo das expectativas, "o efeito favorável se dilui". Macri, que vai completar em dezembro oito anos de governo na capital, apostava em um triunfo contundente neste domingo no distrito de origem do Pró para posicionar-se com maior vigor para as primárias de 9 de agosto, nas quais serão definidos os candidatos para as eleições presidenciais. "É um triunfo com sabor amargo, e que talvez seja um revés na corrida de Macri rumo à presidência. Não um revés definitivo, porque ainda falta muito, mas um revés considerável", declarou Fraga à Efe. Para o também analista político Patrício Giusto, o resultado obtido em Buenos Aires constitui "um sinal de alarme" para o Pró. No entanto, Giusto considerou que o Pró conseguiu "um bom resultado" se for levado em conta que o candidato não foi a principal figura da força, Macri, e que seu postulante, Rodríguez Larreta, "não tem carisma" e "tem poucos atributos para o eleitorado". "Se o resultado do domingo vai influir ou não nas primárias não saberemos até 9 de agosto. E nesse dia o mais importante não será o que pode acontecer na capital, mas na província de Buenos Aires, que representa 38% do censo nacional", ressaltou Giusto sobre a importância do maior distrito eleitoral do país, atualmente governador por Daniel Scioli, que concorrerá nas presidenciais como postulante do kirchnerismo. Os efeitos dos inesperados números obtidos pelo Pró neste domingo não demoraram a aparecer. Rodríguez Larreta festejou no bunker dos conservadores e poucos minutos depois, sobre o mesmo palco, Macri, que tinha planejado lançar sua campanha para as primárias montado no cavalo do triunfo contundente que o Pró esperava alcançar na eleição da capital, chegou com um discurso tão surpreendente quanto o resultado do pleito. Contra todas as previsões, inclusive perante o olhar atônito dos militantes mais ortodoxos, Macri, que sempre insistiu na necessidade de mudança e é um duro crítico das políticas da presidente Cristina Kirchner, reconheceu que nem tudo que foi feito pelo governo nacional é ruim e elogiou algumas medidas, como as ajudas sociais aos setores de menores rendas. Também prometeu que a companhia petrolífera YPF e a empresa aérea Aerolíneas Argentinas seguirão sob o controle do Estado embora, garantiu, melhor administradas. Para Rosendo Fraga, a mudança de discurso é uma resposta à estratégia do kirchnerismo de transmitir ao eleitorado a ideia de que, se Macri ganhar as presidenciais, muitos dos benefícios que recebem vão acabar. "O que Macri tentou fazer, com seu estilo, foi dizer ao povo: 'Olhe, eu não vou mudar o que te beneficia'", sustentou o analista. Para Patrício Giusto, perante o medo que poderia ter certa parte do eleitorado pelo alcance da "mudança" apregoada por Macri, o candidato presidencial fez bem em esclarecer que haverá certas políticas que não modificará. No entanto, Giusto considera que isto deveria ter sido feito antes e não faltando tão pouco para as primárias. "Muitos setores do eleitorado vão chegar ao dia 9 de agosto ainda com essa incerteza sobre o que é realmente a mudança proposta por Macri", concluiu. EFE nk/rsd

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