Xi e Obama se reúnem na Califórnia para buscar início de "nova relação"
Internacional|Do R7
Macarena Vidal Pequim, 6 jun (EFE).- Os presidentes das duas grandes potências mundiais, o americano Barack Obama e o chinês Xi Jinping, vão se reunir na próxima sexta-feira pela primeira vez como chefes de Estado, e no encontro a China pretende iniciar "uma nova relação" mais equilibrada com os Estados Unidos. Esse será o último compromisso da viagem de Xi pelo continente americano, e acontecerá na luxuosa propriedade de Sunnylands, no sul da Califórnia. A ideia é possibilitar uma relação mais ampla entre os dois líderes e recuperar - talvez - a antiga cordialidade, assim como na época em que Deng Xiaoping - presidente da China entre 1978 e 1983 - usou um chapéu de 'cowboy' durante sua visita aos Estados Unidos ou quando Jiang Zemin visitou o rancho de George W. Bush, em Crawford, em 2002. No entanto, as circunstâncias atuais são muito diferentes. Se em 2002 a China quase não estava incorporada ao sistema global de comércio, 11 anos depois de passar a fazer parte da OMC transformou-se na segunda maior economia do mundo, com a perspectiva de ser a número um daqui a alguns anos. Há pouco menos de uma década, Pequim se negava a assumir um "protagonismo internacional", mas hoje o regime não hesita em mostrar sua força no cenário da política global. Por isso, é pouco provável que Xi - um líder que possui fortes ligações com o exército chinês e que não foi alheio a declarações nacionalistas em algumas ocasiões - chegue à Califórnia com vontade de fazer concessões, mas de estabelecer com os EUA uma relação entre iguais, e não de subordinação. Anteriormente, o presidente da China deu declarações aos veículos de imprensa do México, da Costa Rica, e de Trinidad e Tobago, por onde passou durante a visita oficial às Américas, mas não fez o mesmo com a mídia americana. Um editorial publicado no "Diário do Povo", o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, defende que "a relação bilateral mais importante do mundo, e a melhor relação entre países grandes" é a da China com a Rússia. Assim, a grande prioridade da China neste encontro entre Xi e Obama, como afirmou na semana passada o diretor-geral para a América do Norte no Ministerio das Relações Exteriores chinês, Zheng Zeguang, é estabelecer um "novo modelo" de relação, que inclua não só a "confiança mútua", mas também "a igualdade, a inclusão, a aprendizagem e lucros que favoreçam as duas potências". A agenda da reunião a ser realizada amanhã estará repleta de temas de grande importância para o cenário internacional, mas as prioridades serão as diferenças entre um país e o outro. Os EUA confirmaram que um dos principais assuntos a serem discutidos será a cibersegurança, ja que a China foi acusada de promover ataques cibernéticos contra empresas e instituições americanas. As reivindicações de soberania chinesa sobre ilhas do Pacífico também terá destaque na reunião. Xi deve tentar deixar claro que China continua convencida de que a mudança de eixo na política externa dos EUA para concentrar-se mais no Pacífico tenha como objetivo conter a crescente influência da República Popular. Pequim, que teve sua taxa de crescimento desacelarada e que enfrenta uma diminuição dos índices de exportação, também pretende debater questões econômicas para que possa, ainda em 2013, substituir a União Europeia como principal parceiro comercial dos EUA. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, declarou esta semana que seu país está "disposto a colaborar com os americanos para que seja possível superar as dificuldades econômicas e promover uma recuperação". Questões como o programa nuclear da Coreia do Norte e a situação na Síria também serão temas amplamente discutidos pelos dois líderes durante o encontro desta sexta-feira. A Casa Branca já garantiu que deseja estabelecer com Xi uma relação mais próxima do que a que Obama mantinha com o último presidente chinês, Hu Jintao, que governava o país asiático desde 2003. Xi optou por não se hospedar no rancho na Califórnia - onde será realizada a reunião -, junto com Obama, e preferiu fazer uma reserva em um hotel. As duas primeiras-damas também não devem se encontrar. Embora a esposa de Xi, Peng Liyuan - uma famosa cantora chinesa que tem se destacado na área diplomática de seu país - acompanhar o marido durante a viagem, Michelle Obama preferiu ficar em Washington para com suas filhas durante a última semana do ano letivo delas na escola. EFE mv/apc/id












