Zillur Rahman, um veterano defensor das liberdades em Bangladesh
Internacional|Do R7
Nova Délhi, 20 mar (EFE).- Histórico dirigente da governante Liga Awami, o presidente de Bangladesh, Zillur Rahman, que morreu nesta quarta-feira aos 84 anos, lutou boa parte de sua vida em defesa da língua bengali, contra as ditaduras militares e, sobretudo, pela independência de seu país. Nascido no dia 9 de março de 1929, no distrito de Kishoreganj (no centro do atual Bangladesh), Rahman faleceu em um hospital de Cingapura, onde havia sido internado há alguns dias por causa de problemas respiratórios e renais. O veterano político assumiu o posto de chefe de Estado de Bangladesh em 2009 e sem ter de fazer frente aos candidatos opositores, já que seu partido se impôs com grande clareza nas eleições realizadas no final de 2008. Em entrevista coletiva à imprensa local, a primeira-ministra bengalesa, Sheikh Hasina, qualificou como uma "triste perda" a morte de Rahman, que durante muitos anos foi tido como seu braço direito e "número dois" da Liga Awami. Rahman era formado em História e Direito pela Universidade de Daca e, desde meados do século XX, desempenhava um importante papel em diversos movimentos populares em defesa das liberdades. Na década de 50, quando Bangladesh ainda era a parte oriental de um Paquistão que tinha acabado se assegurar sua independência do Império Britânico, Rahman defendeu o uso do bengali frente à imposição do urdu como língua oficial por parte das autoridades paquistanesas. Por conta desta oposição, Rahman teve todos os seus títulos universitários anulados, fato que não o impediu de coordenar protestos contra o regime militar que ocupou o poder no Paquistão na década seguinte. Mais tarde, Rahman também se envolveu em revoltas sociais que desencadearam uma guerra de nove meses, que, em 1971, propiciou a independência de Bangladesh, em grande parte graças à ajuda política e militar da vizinha Índia. Quando jovem, o político tinha uma estreita relação com Sheikh Mujibur Rahman, um dos pais da pátria e primeiro presidente de Bangladesh. Este vínculo impulsionou Rahman a ocupar, entre 1972 e 1974, a Secretaria-Geral da Liga Awami. No entanto, após o assassinato de Mujibur em 1975 pelas mãos de generais golpistas, o mesmo passou quatro anos na prisão. A carreira do recém-falecido presidente está de fatos relacionados com a turbulenta história de Bangladesh, um país muito polarizado politicamente e no qual o Exército obteve o poder várias vezes. Apesar de tudo, Rahman foi deputado nacional quase dez vezes - cinco delas pelo distrito de Kishoreganj (sua terra natal) - e teve uma cadeira na assembleia provincial do Paquistão Oriental pouco antes da independência de Bangladesh. Rahman também ocupou a pasta ministerial de Administrações Locais e Desenvolvimento Rural durante o anterior governo de Sheikh Hasina, filha e herdeira política do pai da pátria, Mujibur. Além disso, Rahman assumiu a liderança do partido de forma temporária no momento em Sheikh foi presa sob a acusação de corrupção em 2007. Neste ano, em Bangladesh, o político decretou estado de emergência e nomeou um governo interino devido à violência política que o país atravessava. Dois anos mais tarde, Rahman desbancou da Presidência o chefe de Estado que tinha imposto nesse estado de emergência, o falecido Iajuddin Ahmed. O presidente bengalês ficou viúvo em 2004, quando sua esposa Ivey foi assassinada em um ataque perpetrado por insurgentes durante um comício da Liga Awami em Daca. EFE igb/fk











