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Zimbábue celebra referendo sobre nova Constituição mais democrática

Internacional|Do R7

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Os cidadãos do Zimbábue votaram neste sábado para aprovar uma nova Constituição mais liberal, que deve representar mais democracia após três décadas de poder ininterrupto do presidente Robert Mugabe, em um contexto político cada vez mais tenso.

As seções eleitorais, que abriram às 07h00 locais (02h00 de Brasília), fecharam as portas às 19h00 locais (14h00 de Brasília).


No entanto, a nova Constituição não impede que Robert Mugabe - de 89 anos e no poder desde a independência em 1980 - volte a ser candidato, pois a lei não tem caráter retroativo.

Se for eleito novamente, o dirigente mais idoso da África poderia permanecer no poder até os 99 anos.


O texto suprime ainda o cargo de primeiro-ministro, ocupado atualmente por Morgan Tsvangirai, principal opositor de Mugabe, com o qual tem uma convivência difícil em um governo de união nacional imposto há quatro pelos países vizinhos para impedir uma guerra civil, que chegou perto de explodir após a violenta campanha eleitoral de 2008.

A vitória do "Sim" é certa, pois tanto Mugabe como Tsvangirai defenderam a aprovação do texto, fruto de uma árdua negociação entre os dois lados.


Morgan Tsvangirai votou pela manhã em Chitungwiza. "Espero que (a Constituição) instaurará uma cultura política em que poderemos passar de uma cultura da impunidade a uma cultura da constitucionalidade", declarou à imprensa.

Um pouco depois, um Mugabe muito tranquilo pôs sua cédula na urna em um "township" de Harare, imagens difundidas ao vivo pela TV nacional (ao contrário de seu adversário). "Queremos paz no país, paz, paz. A paz começa com Robert Mugabe", declarou aos jornalistas.


Embora o clima não fosse tenso este sábado, vários incidentes foram registrados e preocupam o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), o partido do primeiro-ministro.

Um encarregado regional do partido foi detido no distrito de Headlands (leste). Enquanto o MDC pensava que o homem tivesse sido sequestrado por pessoas de confiança de Mugabe, a polícia explicou que o encarregado regional do MDC tinha sido detido por policiais à paisana porque é acusado de ter tentado assassinar um encarregado do partido Zanu-PF (de Mugabe), que teve que ser hospitalizado depois de lançarem uma bomba incendiária contra a sua casa.

Nesta sexta-feira, sete militantes do MCD e uma equipe da BBC foram atacados em Mbare, um "township" de Harare, enquanto militantes da sociedade civil eram assediados pela polícia, fiel a Mugabe.

"Não recebemos nenhum informe de violência", comemorou neste sábado Rita Makarau, presidente da comissão eleitoral.

"A participação, a princípio bastante baixa, aumentou durante o dia", acrescentou.

A ONG Zimbabwe Elections Support Network, que mobilizou 600 observadores em todo o país, destacou que as eleições foram realizadas "sem problemas".

Os resultados do referendo serão divulgados durante a próxima semana.

As eleições de 2002, 2005 e 2008, após as quais Mugabe sucedeu a si mesmo, foram marcadas por irregularidades e distúrbios, nos quais a oposição foi frequentemente atacada por partidários do presidente e pela polícia.

bur-liu/fp/mvv

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