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JR ENTREVISTA: Brasil pode liderar minerais estratégicos e terras raras, diz presidente do Ibram

Pablo Cesário destaca desafios tecnológicos, investimentos e disputa geopolítica no setor

JR Entrevista|Do R7, em Brasília

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O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (27) é o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Pablo Cesário. À jornalista Vanessa Lima, ele fala sobre o potencial brasileiro na exploração de minerais críticos e terras raras, os desafios tecnológicos do setor e a disputa global envolvendo países como China e Estados Unidos.

Durante a entrevista, Cesário explicou a diferença entre minerais estratégicos, minerais críticos e terras raras. Segundo ele, os minerais estratégicos são importantes para a economia, enquanto os críticos, além disso, dependem de importação e representam preocupação para a segurança nacional. Já as terras raras são 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias ligadas à transição energética, como baterias, circuitos eletrônicos e geração de energia renovável.


O presidente do Ibram afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar protagonista mundial nesse mercado. Mesmo com apenas 27% do território nacional mapeado na escala necessária para mineração, o país já possui a segunda maior reserva desses minerais no mundo. Ele destacou, porém, que o grande desafio está no processamento e no refino das terras raras, etapa que exige tecnologia complexa e investimentos de longo prazo.

Cesário também defendeu uma postura de “independência estratégica” do Brasil diante da disputa global por minerais críticos. Segundo ele, o país tem condições de dialogar tanto com Estados Unidos quanto com China e outros parceiros internacionais, aproveitando a posição de fornecedor confiável. O entrevistado afirmou ainda que o Congresso precisa avançar rapidamente na aprovação do projeto de lei que cria regras para minerais estratégicos e prevê incentivos à industrialização do setor.


“Acho que o grande desafio agora é aprovar a lei que já está no Congresso. Ela tem algumas melhorias importantes que precisam ser feitas, mas a gente tem que rapidamente correr para o próximo desafio tecnológico, que é como a gente cria a capacidade industrial e tecnológica de fazer o refino, o processamento e a produção de óxidos do melhor nível de pureza e separar esses instrumentos”, destacou.

Ao comentar os impactos econômicos da mineração, Pablo Cesário afirmou que o setor representa cerca de 5% do PIB brasileiro, faturou mais de R$ 400 bilhões em 2025 e recolheu cerca de R$ 103 bilhões em impostos e taxas no último ano. Ele destacou que a mineração pode gerar desenvolvimento social, desde que os recursos sejam investidos em educação, saúde e infraestrutura pelas administrações locais.


No fim da entrevista, o presidente do Ibram falou sobre sustentabilidade e segurança na mineração após as tragédias de Mariana e Brumadinho. Segundo ele, o setor mantém uma “obsessão por segurança” para evitar novos desastres: “Esse é um trauma que eu espero que nunca seja superado, porque precisa ser uma memória dura para que isso nunca mais aconteça”.

Cesário também alertou para o avanço do garimpo ilegal de ouro e defendeu a criação de mecanismos de rastreabilidade para impedir a lavagem de dinheiro e a atuação do crime organizado no mercado ilegal do minério. “A gente quer garantir que haja uma rastreabilidade que toda a cadeia seja controlada, não apenas de como a gente comercializa, mas inclusive de onde ele vem”, pontuou.


O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

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