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JR ENTREVISTA: Presidente do Sindifisco diz que Receita promove ‘asfixia financeira’ de facções

Dão Real detalha rastreamento de lavagem de dinheiro em fintechs e postos de combustíveis

JR Entrevista|Do R7, em Brasília

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O convidado do JR ENTREVISTA desta quinta-feira (11) é o presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real. À jornalista Flávia Alvarenga, ele comentou o papel estratégico da Receita Federal na desarticulação das finanças de organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, a importância do monitoramento de fintechs para evitar a lavagem de dinheiro e o impacto do déficit de servidores na fiscalização de portos e fronteiras do país.

Segundo Real, embora o senso comum ligue o crime organizado ao tráfico de drogas e armas, facções como o PCC e o Comando Vermelho operam hoje como “conglomerados empresariais” que se infiltram na economia lícita para ocultar ativos.


A Receita Federal atua justamente no rastreamento desses patrimônios, investigando beneficiários reais e fluxos financeiros clandestinos que não possuem origem declarada. “Muitas vezes o auditor fiscal se depara com a utilização de fluxos financeiros para ocultar patrimônio, ocultar ativos. E às vezes esses ativos são ativos de facções criminosas”, explicou.

Um dos exemplos de maior impacto citados foi a Operação Carbono Oculto, que revelou como o crime organizado dominou toda a cadeia de combustíveis, desde refinarias até milhares de postos de gasolina.


Dão Real detalhou que esses estabelecimentos eram usados para lavar dinheiro e maximizar lucros através da sonegação e da venda de produtos adulterados com metanol. “A lavagem de dinheiro é um crime. Mas a atividade que lava o dinheiro não precisaria ser uma atividade criminosa. Só que eles utilizaram atividades criminosas para lavar dinheiro, por exemplo, falsificar combustível”, avaliou.

A entrevista também abordou o uso de bancos digitais e “contas bolsão” para dificultar a identificação dos verdadeiros donos do dinheiro. Real explicou que a Receita Federal precisou criar normas para equiparar as obrigações das fintechs às dos bancos tradicionais, exigindo a declaração dos CPFs dos beneficiários das movimentações.


Antes desse monitoramento, o crime “descarregava” recursos nessas plataformas para “esquentar” o dinheiro por meio de fundos de investimento que, posteriormente, adquiriam bens reais e empresas legítimas.

Real também destacou que a missão da Receita é complementar à da Polícia Federal. Enquanto a polícia foca nas prisões, o fisco atua na punição econômica para desestruturar a logística das facções. “A Receita é um instrumento poderoso exatamente neste componente do crime que é o financiamento, que é a asfixia financeira. Quando eu tiro o oxigênio do crime, eu combato o crime de forma mais inteligente e torno mais cara a prática criminosa”, afirmou.


Apesar do avanço tecnológico e do uso de Inteligência Artificial, Real alertou que a carência de pessoal é um obstáculo crítico. Atualmente, a Receita conta com apenas 6.800 auditores ativos, cerca de metade do quadro que possuía em 2014, o que sobrecarrega a fiscalização aduaneira e o combate a fraudes estruturadas.

Ele defendeu ainda a necessidade urgente de novos concursos, afirmando que a tecnologia não substitui a capacidade humana de analisar a enorme massa de dados aprendidos em operações complexas.

O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

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