JR ENTREVISTA: Gilmar Mendes defende reforma do Estado e alerta para ‘governo de minoria’
Ministro do STF abordou temas como reformas institucionais, crime organizado, soberania digital e a relação entre os Poderes
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
O convidado do JR ENTREVISTA desta segunda-feira (1º) é o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Ao jornalista Clébio Cavagnolle, ele falou sobre as expectativas para o Fórum de Lisboa, a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, a necessidade de reformas no Judiciário e no Estado e regulação de redes sociais.
O ministro criticou a paralisia em órgãos de fiscalização, classificando como fruto de impasses políticos entre o Executivo e o Senado. Ele citou o caso da CVM, que operou desfalcada durante crises financeiras recentes.
“É chocante que ela tenha ficado [...] sem três diretores por tanto tempo, o que mostra uma certa negligência no trato dessa temática”, afirmou.
Para Mendes, o país precisa de uma mudança estrutural que vá além do Judiciário. “Me parece que há elementos que justifiquem uma reforma, mas eu não ficaria só na reforma do Judiciário. Talvez tenhamos a oportunidade de discutir uma reforma do Estado brasileiro.”
Sobre a pressão internacional e a classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA, o ministro alertou que a dependência digital brasileira gera vulnerabilidade a sanções. Ele defendeu ações concretas para proteger a jurisdição nacional.
“O governo tem enfatizado a ideia da soberania tecnológica, mas é preciso sair da retórica para a prática”, afirmou. Ele reforçou que o combate ao crime organizado deve ser a prioridade central das gestões federal e estaduais, saindo do campo dos discursos para resultados efetivos.
Ao analisar a relação entre os Poderes e a dificuldade de aprovação de nomes para o Supremo, o ministro apontou que o presidente enfrenta um cenário de fragilidade parlamentar. Segundo ele, a rejeição de nomes como Jorge Messias foi política e reveladora de uma crise mais profunda.
“O presidente Lula acaba numa situação muito singular fazendo um governo de minoria, um governo em que ele não tem uma base parlamentar sólida”, disse.
Mendes também condenou as frequentes ameaças de impeachment contra magistrados, afirmando que “a própria banalização de sua invocação já mostra um uso impróprio” dessa arma institucional.
O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.
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