‘Achei que seria morta’, relata mulher agredida por ex-companheiro em Santa Luzia
Suspeito foi preso após imagens da violência viralizarem nas redes sociais
Minas Gerais|Virgína Nalon, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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“Eu comecei a gritar socorro, me ajuda, chama a polícia.” O relato de Geovana Jordania, de 26 anos, revela os momentos de terror vividos na madrugada deste domingo (14), em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A jovem foi brutalmente agredida pelo ex-companheiro, Jean Carlos Andrade da Silva, de 31 anos, que acabou preso pela Polícia Militar horas depois, em Belo Horizonte.
Segundo Geovana, a violência foi o desfecho de uma sequência de perseguições, ameaças e comportamentos possessivos que se intensificaram após o término do relacionamento, encerrado há cerca de três meses. Os dois ficaram juntos por sete anos, desde quando ela tinha 19 anos. Apesar da separação, a vítima afirma que o ex-companheiro nunca aceitou o fim da relação.
Na noite anterior às agressões, Geovana participou de um rodeio em Pedro Leopoldo e encontrou Jean Carlos no local. Ela conta que, naquele momento, ainda tentava manter uma convivência pacífica com o ex. “A gente chegou até a comprar os ingressos juntos. Eu estava pegando comida e vi ele comprando energético. Depois não vi mais”, relembra.
Mas, segundo a vítima, o comportamento do ex mudou ao longo da noite. Ela afirma que começou a receber inúmeras ligações e mensagens insistentes. Como não tinha interesse em reatar o relacionamento, passou a ignorar as tentativas de contato. “Ele me ligou trocentas vezes, mandou mensagem falando tudo quanto é nome, me xingando com todos os palavrões”, contou.
Na tentativa de fazer com que o ex-companheiro a deixasse em paz, Geovana pediu que o cunhado de uma amiga atendesse uma das ligações e fingisse que ela estava acompanhada. A estratégia, no entanto, teria provocado ainda mais revolta. Segundo a jovem, Jean Carlos passou a agir de forma mais agressiva e a enviar ameaças.
Ao retornar para casa, a vítima afirma que encontrou o suspeito aguardando em frente à residência. “Quando cheguei, me deparei com ele pendurado ali, querendo invadir minha casa”, disse. Assim que desceu do carro, ela afirmou que avisou que acionaria a polícia caso ele tentasse entrar no imóvel. Foi nesse momento que, segundo o relato, Jean Carlos correu em sua direção e iniciou as agressões.
“Eu falei que ia chamar a polícia. Aí ele pulou e veio correndo. Já começou a me agredir”, relembrou. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a mulher é atacada com socos, tapas e chutes. Durante a agressão, ela foi derrubada no chão.
Geovana relatou ainda que o ex-companheiro tentou arrastá-la para dentro da residência à força. Com medo de ser estuprada ou morta, ela se agarrou ao chão e começou a pedir ajuda desesperadamente. As agressões só cessaram quando vizinhos ouviram os gritos e saíram para socorrê-la.
A jovem afirma que a violência física foi apenas o capítulo mais recente de uma relação marcada por abusos. “Eu já vinha sofrendo agressões psicológicas, emocionais e morais. Ele me diminuía em todos os sentidos”, declarou. Segundo ela, mesmo após a separação, o ex continuava monitorando sua rotina, fazendo ligações constantes e aparecendo em locais que frequentava. “Ele nunca me deixou em paz”, afirmou.
Após a repercussão das imagens nas redes sociais, equipes da Polícia Militar intensificaram os rastreamentos e localizaram Jean Carlos Andrade da Silva na Rua Júlio de Castilho, no bairro Cinquentenário, em Belo Horizonte. O suspeito foi preso e encaminhado para a Delegacia de Plantão Especializada de Atendimento à Mulher, onde o caso será investigado.
Geovana decidiu falar publicamente sobre a agressão para alertar outras mulheres que vivem situações semelhantes. Mãe de uma menina de oito anos, ela afirma que considera a própria sobrevivência uma oportunidade de conscientização. “Não se calem. Denunciem. Eu estou aqui hoje para contar a minha história, mas muitas mulheres não estão”, disse.
Agora, a vítima espera que o agressor permaneça preso e responda pelos crimes. “Que ele pague e que seja feita justiça”, concluiu.
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