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Governo de Minas nega desaparecimento de acervo do Palácio das Mangabeiras e rebate especulações

Após cobranças da ALMG e investigação da Polícia Federal, Estado afirma que todos os bens estão cadastrados e têm localização conhecida

Minas Gerais|Cler Santos, do R7

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SUMIÇO OBRAS PALÁCIO Divulgação/Parque do Palácio

O Governo de Minas divulgou, nesta quinta-feira (16), uma nota oficial para rebater as especulações sobre o suposto desaparecimento de móveis, obras de arte e outros itens do acervo do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Segundo o Executivo, todos os bens que integravam o patrimônio do imóvel no início da atual gestão, em janeiro de 2019, estão devidamente cadastrados e com a localização registrada nos sistemas oficiais.

A manifestação ocorre em meio à repercussão da investigação da Polícia Federal sobre o desaparecimento de obras de arte, móveis históricos, louças, pratarias e outros objetos do antigo palácio oficial dos governadores de Minas Gerais. O caso envolve peças atribuídas a artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.

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Na nota, o governo detalha a destinação de 63 itens que haviam sido doados pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) à Secretaria-Geral do Estado. Desse total, 16 foram destinados ao Gabinete Militar do Governador (GMG), incluindo abajures, poltronas, mesas e um divã, atualmente distribuídos entre áreas administrativas e espaços de exposição do Palácio da Liberdade. Oito almofadas também foram repassadas ao órgão e, por serem consideradas bens de consumo, foram posteriormente leiloadas.

Outros 31 itens foram encaminhados à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult). Segundo o governo, apenas duas poltronas modelo Graz e um sofá curvo branco permanecem em uso no Palácio das Mangabeiras. Os demais móveis, como sofás, mesas, cadeiras, um televisor e um aparador, estão armazenados em um galpão da Codemge, em Belo Horizonte, com acesso restrito.

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Já a Secretaria de Governo (Segov) recebeu 16 itens, entre cadeiras giratórias, cadeiras de acrílico e banquetas, que foram leiloados em 2021, conforme a legislação.

O governo também esclareceu a situação de outra relação de 187 bens mantidos sob guarda da Codemge. Segundo a administração estadual, a lista inclui parte dos mesmos 63 itens já mencionados e reúne materiais de menor ou médio valor cultural, como câmeras de segurança, aparelhos de ar-condicionado, bombas de piscina, armários, prateleiras e luminárias, que seguem em uso no Palácio das Mangabeiras ou armazenados no entreposto da empresa.

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Em relação aos objetos de maior valor histórico e artístico, o Executivo afirmou que livros, quadros, louças, pratarias, faqueiros e roupas de cama foram destinados a equipamentos culturais do Estado para garantir a preservação e ampliar o acesso público ao patrimônio. Cerca de 1.200 livros passaram a integrar o acervo da Biblioteca Pública Estadual.

Segundo a nota, quadros de artistas como Di Cavalcanti, Inimá de Paula, Carlos Bracher, Ivan Marchetti, Emeric Marcier, Regina Vateri e Massimo Campigli, entre outros, estão sob responsabilidade de instituições como o Palácio da Liberdade, o Museu Mineiro e o Prédio Tiradentes, sendo expostos em sistema de revezamento conforme critérios de curadoria. O governo destacou ainda que o biombo de Di Cavalcanti está em exposição no hall de entrada do Palácio da Liberdade, enquanto gravuras de Tarsila do Amaral permanecem sob guarda do Museu Mineiro.

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Outro ponto abordado foi o antigo cinema do Palácio das Mangabeiras. De acordo com o governo, quando a atual gestão assumiu, em 2019, o espaço já contava com cadeiras modernas e um projetor do tipo home theater. Esses equipamentos foram retirados e armazenados no entreposto da Codemge. Já as cadeiras e o projetor do cinema histórico, descaracterizado há mais de 11 anos, estão desde 2015 sob responsabilidade da Fundação Clóvis Salgado, sendo utilizados ou mantidos no Cine Humberto Mauro e no espaço cultural CâmeraSete.

Ao final da nota, o Governo de Minas reafirma que mantém controle rigoroso sobre o patrimônio público, assegura que toda movimentação dos bens segue a legislação vigente e informou que está à disposição para acompanhar a imprensa em visitas aos locais onde parte do acervo está exposta.

Entenda o caso

O caso ganhou repercussão em 17 de junho, durante uma prestação de contas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), quando o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, revelou que encontrou, em 2020, 44 obras de arte cobertas por tecidos no Palácio das Mangabeiras, entre elas peças atribuídas a Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. Segundo ele, as obras foram encaminhadas ao Museu Mineiro, mas parte do acervo apresentava danos, incluindo um biombo de Di Cavalcanti, e ainda seria necessário localizar outros bens.

No dia 2 de julho, deputados da Comissão de Cultura da ALMG realizaram uma visita técnica ao Palácio das Mangabeiras. Segundo os parlamentares, no imóvel restavam apenas uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano. Durante a inspeção, representantes da Codemge não conseguiram informar o paradeiro dos demais bens e se comprometeram a encaminhar à comissão, até esta quinta-feira (16), toda a documentação referente ao acervo. Enquanto isso, a Polícia Federal foi acionada para investigar o possível desaparecimento dos itens históricos.

Por que a Polícia Federal foi acionada?

Segundo a deputada Bella Gonçalves o acionamento da PF, e não apenas da Polícia Civil estadual, se justifica por dois motivos: o primeiro é que o caso pode envolver ex-governadores e o atual governador, cujos crimes comuns são julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que exige investigação federal desde o início. O segundo é que parte das obras desaparecidas pode integrar o patrimônio cultural brasileiro protegido pelo IPHAN, o que atrai competência federal.

Entre os crimes investigados estão peculato (apropriação de bens públicos por agentes públicos) dano qualificado ao patrimônio público e possíveis infrações à legislação federal de proteção ao patrimônio histórico e cultural.

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