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‘Adeus, Savassi?’: cartão-postal de BH vive crise de abandono, insegurança e lojas fechadas

Região símbolo da capital mineira acumula lojas vazias, queixas de comerciantes e preocupação com o futuro do comércio local

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Antonio Paulo, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Savassi, um tradicional bairro de Belo Horizonte, enfrenta um grave abandono e aumento da insegurança.
  • Cerca de 10% das lojas fecharam, levando a um esvaziamento comercial e sensação de deterioração progressiva.
  • Problemas como lixo nas ruas, iluminação precária, e falta de manutenção urbana são frequentemente mencionados por moradores.
  • Especialistas apontam a necessidade de ações integradas para revitalizar a região e restaurar sua vitalidade urbana.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Arte 'Adeus Savassi?'
Sensação de insegurança aparece como um dos principais fatores apontados para a perda de movimento no comércio local Divulgação/Qu4rto Studio/Acervo Belotur

A Savassi está morrendo? Quem caminha hoje por um dos bairros mais tradicionais e simbólicos de Belo Horizonte já encontra uma paisagem diferente daquela que transformou a região em referência de vida urbana na capital mineira. Placas de “aluga-se”, lojas fechadas, calçadas vazias em horários antes movimentados e uma crescente sensação de insegurança revelam um cenário que moradores e comerciantes descrevem como um processo silencioso de abandono de um dos principais cartão-postal boêmio e comercial da cidade.

Esta é a primeira reportagem de uma série especial sobre o que comerciantes e moradores já chamam de “o fim da Savassi”, uma transformação silenciosa que vem mudando a paisagem de um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte.


Dados levantados pela Associação de Moradores da Savassi (Amo Savassi) e pelo Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH) mostram que o bairro enfrenta um processo gradual de esvaziamento comercial. Em alguns trechos, cerca de 10% das lojas já encerraram as atividades, acumulando placas de “aluga-se” em pontos antes disputados pelo mercado.

“A Savassi perdeu o brilho”

Para quem vive o bairro diariamente, a sensação é de deterioração progressiva. O presidente da ‘Amo Savassi’, associação de moradores do bairro, Helênio Soares, afirma que a região ainda preserva seu potencial, mas sofre com a falta de atenção do poder público.


“Mudei para cá justamente pela energia do bairro, pelos bares, restaurantes, pelo comércio forte, pela facilidade de fazer tudo a pé. A Savassi sempre teve vida. O problema é que hoje existe uma sensação de abandono”, afirma.

Segundo ele, a degradação não está ligada apenas ao fechamento de lojas, mas também à falta de manutenção urbana. Moradores reclamam de lixo acumulado nas ruas, iluminação precária, problemas na coleta de resíduos e aumento da ocupação irregular de espaços públicos.


“A prefeitura precisa olhar para a Savassi de forma estratégica. Não é um bairro degradado estruturalmente. É um bairro abandonado”, completa.

Insegurança afasta consumidores

A sensação de insegurança aparece como um dos principais fatores apontados para a perda de movimento no comércio local. Segundo Helênio Soares, presidente da ‘Amo Savassi’, embora o bairro não seja violento em todos os aspectos, o furto de aparelhos móveis é a maior preocupação: “O que a gente tem vê muito aqui são roubos de celulares. A gente até fala com as pessoas que andam na rua conversando no celular. Não façam isso, entendeu?”. Ele destaca que situações de abordagens agressivas e intimidações acabam prejudicando os negócios: “elas intimidam o comércio aqui”.


O advogado Marcelo Afonso, síndico de um condomínio comercial da região, afirma que o fechamento das lojas gera um processo de retroalimentação negativa. No prédio administrado por ele, de um total de oito lojas, duas estão vazias. Ele explica que a vacância atrai outros problemas que dificultam a ocupação dos espaços: “A partir do momento em que uma loja está fechada e que há essa ocupação irregular, acaba afastando o interessado. Na medida que você não aluga, a situação vai permanecendo”.

Para Afonso, esse cenário de abandono e insegurança é o que drena a vitalidade do bairro: “Toda essa questão de insegurança, ela acaba fazendo com que a atração pela Savassi vai diminuindo”. O reflexo disso é um ciclo de desvalorização que afasta o público e desencoraja novos empreendedores de investirem em uma das áreas mais tradicionais da capital.

Entre o charme e o abandono

Apesar das dificuldades, moradores e comerciantes ainda acreditam no potencial de recuperação da região. O consenso, porém, é de que faltam ações integradas envolvendo segurança, limpeza urbana, mobilidade e assistência social.

Enquanto comerciantes fecham as portas e moradores relatam uma sensação crescente de abandono, representantes do setor já enxergam o problema como parte de um fenômeno maior, que ultrapassa os limites da Savassi. Para o presidente do SindLojas, Salvador Ohana, bairros tradicionais de Belo Horizonte passaram a conviver com uma espécie de “custo urbano”, marcado pela insegurança, pela presença constante de pessoas em situação de rua e pela falta de políticas públicas efetivas. Um cenário que, segundo ele, já atinge regiões como Centro e Floresta, e que ajuda a explicar por que a crise da Savassi se tornou tão simbólica aos olhos da cidade.

É sobre esse “Custo Savassi” e os impactos da criminalidade e do abandono no comércio que a próxima reportagem da série vai tratar.

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