Menina indígena de 1 ano e 4 meses morre por desnutrição em hospital de Betim
Menina da etnia Warao estava internado em estado grave; denúncia aponta falta de agente comunitário de saúde na comunidade
Minas Gerais|Cler Santos, do R7 e Lucas Eugênio, da RECORD Minas
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Uma criança indígena da etnia Warao, de 1 ano e 4 meses, morreu nesta quinta-feira (28) no Hospital Regional de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A menina estava internada com um quadro grave de desnutrição e desidratação.
A morte ocorre em meio a denúncias de falhas na assistência à saúde prestada à comunidade indígena Warao, que vive na ocupação Mãe Terra, em Betim. Um documento encaminhado a órgãos de fiscalização afirma que os moradores estão há mais de dois anos e meio sem cobertura efetiva de um Agente Comunitário de Saúde (ACS), profissional responsável por acompanhar famílias, realizar visitas domiciliares e identificar situações de risco.
Segundo a denúncia, a menina teria permanecido cerca de oito dias sem ingerir alimentos ou líquidos antes de receber atendimento médico. Quando o quadro foi identificado, ela já apresentava desnutrição crônica grave, desidratação severa e risco iminente de morte, com necessidade de internação hospitalar. Os autores do documento sustentam que a situação poderia ter sido detectada mais cedo caso houvesse acompanhamento regular da família por um agente comunitário vinculado ao território.
O documento também relata outras situações consideradas graves na comunidade, incluindo mortes de crianças e adolescentes por problemas respiratórios e o caso de uma adolescente grávida que morreu após complicações da gestação sem ter realizado acompanhamento pré-natal. Os denunciantes pedem investigação sobre a ausência de um ACS fixo na região e sobre a possível relação entre a falta de assistência e os óbitos registrados.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que acompanha, junto ao município de Betim, as averiguações sobre os óbitos envolvendo crianças da comunidade Warao. A pasta destacou que a investigação epidemiológica desses casos é obrigatória no Sistema Único de Saúde (SUS) e que a supervisão das ações dos agentes comunitários de saúde é de responsabilidade do município.
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