BH paga R$ 44 mi a empresas de ônibus, que descumprem decreto

Por causa do isolamento social, o setor sofreu queda de 70% no movimento; a Prefeitura de BH, então, antecipou o valor para evitar a quebra das empresas

Aglomeração nas estações de ônibus de BH são comuns

Aglomeração nas estações de ônibus de BH são comuns

Reprodução/RecordTV Minas

As empresas de ônibus da capital mineira receberam R$ 44 milhões dos cofres da Prefeitura de Belo Horizonte mesmo sem pagar as multas devidas e descumprindo regras que constam em decreto municipal.

Por causa do isolamento social, desde março, o setor sofreu queda de 70% no movimento: o número de passageiros nos coletivos de BH caiu de 1,2 milhão para cerca de 380 mil por dia. Mas as viagens foram reduzidas pela metade.

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Para evitar uma crise ainda maior no setor, que poderia resultar na falência de algumas empresas, a Prefeitura de Belo Horizonte antecipou a compra de vale-transporte no valor R$ 44 milhões

Para o presidente da BHTrans, Célio Bouzada, em audiência na Câmara Municipal no mês passado, o aporte não se trata de um subsídio dado pela prefeitura.

— Não foi dinheiro dado, não é subsídio. É um adiantamento do fluxo de caixa. O prefeito já falou que está ajudando as empresas, por que, sem esse reforço, não ia conseguir fazer frente a essa situação

Dívida

Por outro lado, as empresas têm uma dívida superior a R$ 10 milhões com o município por rodar sem a presença de um cobrador, bem antes do surto da covid-19 começar.

Além disso, elas estão descumprindo o decreto municipal que proíbe transportar passageiros em pé durante o período de pandemia. Ao todo, 2.500 multas já foram aplicadas, mas nenhum centavo foi pago à prefeitura.

Reclamações

Apesar das medidas para evitar aglomerações, flagrar um ônibus lotado é uma tarefa fácil em Belo Horizonte. Nos horários de pico, a cena é esta: filas longas que se formam rapidamente, com passageiros de máscaras, mas, muitas vezes, desrespeitando o distanciamento recomendado.

Para o Márco Aurélio, do movimento Volta Cobrador, a situação dos coletivos é crítica.

— Tem isolamento em vários pontos da cidade, mas não tem isolamento dentro do ônibus. Não tem distanciamento. Será que dentro do ônibus não tem coronavírus? Não tem risco?

Ele afirma que, se os coletivos rodassem com o cobrador, os motoristas, que estão sobrecarregados, sofreriam bem menos nesta situação, já que os agentes poderiam controlar a capacidade de passageiros. 

— Falava "olha, o ônibus já está com os lugares ocupados, não dá pra entrar mais". E também olhar os passageiros com máscara. O motorista não dá conta de tudo, e ainda estão trabalhando com salária reduzido em 30%. Tem motorista recebendo R$ 700. E ainda aumenta mais essa responsabilidade para ele.

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