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Diarista acusada de matar casal de idosos em BH responderá por latrocínio, fraude processual e furto

Justiça aponta que vítimas foram dopadas e tiveram a capacidade de defesa dificultada durante o crime

Minas Gerais|Isabella Guasti, do R7

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De acordo com depoimentos de familiares da própria suspeita, ela enfrentava uma grave crise financeira e acumulava dívidas com agiotas
De acordo com depoimentos de familiares da própria suspeita, ela enfrentava uma grave crise financeira e acumulava dívidas com agiotas RECORD Minas/ Reprodução

A Justiça recebeu a denúncia contra Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar um casal de idosos dentro do apartamento onde eles moravam, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A mulher responderá por dois latrocínios consumados e agravados, fraude processual qualificada e furto qualificado. O processo também tem como réu Leonardo do Nascimento, denunciado por furto qualificado.

Os idosos, Cláudio Atala Inácio, de 76, e Maria Clotilde, de 75, foram assassinados em 29 de junho deste ano. Segundo a denúncia recebida pela Justiça, Paola teria cometido os homicídios com o objetivo de subtrair bens das vítimas e, depois, alterado a cena do crime para dificultar o trabalho da perícia.


A decisão da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte aponta que os laudos de necropsia identificaram 15 lesões causadas por instrumento perfurocortante e queimaduras no corpo da idosa. O homem, por sua vez, sofreu 43 lesões por arma branca, incluindo perfurações que atingiram diretamente o miocárdio.

Exames toxicológicos também apontaram a presença de clonazepam e alprazolam nos organismos das vítimas. Para a Justiça, o resultado sustenta a acusação de que os idosos tiveram a capacidade de defesa dificultada.


Cena do crime teria sido alterada

A denúncia também aponta que a cena do crime teria sido modificada para apagar vestígios. Conforme o laudo pericial citado na decisão, panos de chão foram deixados de molho em água sanitária e desinfetantes dentro do tanque da área de serviço. A suspeita é de que a ação tivesse como objetivo eliminar vestígios de sangue e dificultar o trabalho da perícia.

Imagens das câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada de Paola no imóvel às 7h28 e a saída dela às 15h32. Segundo a decisão, ela deixou o local carregando sacolas com pertences das vítimas e usando roupas diferentes das que vestia ao chegar.


Um dos principais elementos apontados pela investigação é uma unha postiça de gel encontrada sob o corpo de Cláudio Atala. De acordo com a decisão, imagens mostram que Paola entrou no apartamento usando o mesmo tipo de unha no dedo anelar direito e saiu sem o acessório.

Outros investigados

A Justiça ainda determinou o desmembramento do processo em relação a outros três investigados: Junio Ferreira Morais, Vitor Manuel Soares Bartolomeu e Wesley Fernandes da Silva. No caso deles, serão analisadas propostas de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) por crimes de receptação.


Já em relação a Vinícius Moreira Mitre, primo de Maria Clotilde, as investigações deverão prosseguir em um inquérito separado. Conforme a decisão, ele teria indicado Paola para trabalhar na residência dos idosos. A Justiça também registra que, durante a execução do crime, a acusada teria ligado para Vinícius e informado que uma das vítimas estava “passando mal”, sem que ele tomasse providências.

A denúncia contra Paola e Leonardo foi recebida pela Justiça. Os dois deverão apresentar resposta à acusação no prazo legal de dez dias.

A defesa de Paola também pediu a revogação da prisão preventiva. O juiz determinou que o Ministério Público se manifeste antes de analisar o pedido.

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