‘Falou que ia acabar comigo’, diz mulher atacada pelo ex após meses de ameaças em BH
Vítima já havia denunciado perseguições, ameaças e descumprimento de medidas protetivas; suspeito foi preso e aguarda audiência de custódia
Minas Gerais|Michelyne Kubitscheck, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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“Achei que eu ia morrer. Se ele sair da cadeia, ele vai me matar.” O desabafo é de Solange Ribeiro de Azevedo, de 37 anos, vítima de uma violenta agressão praticada pelo ex-companheiro na manhã desta segunda-feira (15), no bairro Jardim Montanhês, na região Noroeste de Belo Horizonte. A mulher foi encontrada desacordada dentro de um carro, com diversos ferimentos pelo corpo, após ser espancada, esganada e agredida com socos e chutes. O suspeito, Marco Aurélio Salvino Pinto, de 46 anos, foi preso horas depois pela Polícia Militar.
Ainda abalada e com dificuldades para caminhar, Solange afirmou que o ataque foi o desfecho de uma sequência de ameaças e perseguições que se arrastavam desde o fim do relacionamento, encerrado em julho do ano passado. “Eu não tive mais paz. Ele mandava mensagens, fazia ameaças, falava que ia acabar comigo e com os meus filhos”, relatou a vítima, que já havia registrado diversos boletins de ocorrência e obtido medidas protetivas contra o ex-noivo.
Segundo a Polícia Militar, na manhã da agressão, Solange acionou os militares após perceber que Marco Aurélio estava parado em frente ao salão de beleza onde ela trabalha. O suspeito alegou que havia ido ao local para cobrar uma suposta dívida de R$ 20 mil e afirmou que perdeu o controle durante uma discussão. A vítima, no entanto, nega qualquer débito. “Eu acertei tudo com ele. Paguei o que ele dizia ter investido na casa e encerrei qualquer pendência. Essa dívida não existe”, afirmou.
Imagens de câmeras de segurança registraram parte da violência. As gravações mostram o momento em que a mulher, já sem condições de reação, é carregada pelo agressor até um veículo. Em determinado momento, a cabeça da vítima fica para fora do carro e a porta é fechada repetidamente contra ela. Em seguida, o homem deixa o local.
A comerciante contou que o comportamento agressivo do ex-companheiro começou ainda durante o relacionamento, que durou cerca de dois anos entre namoro e noivado. Após o término, segundo ela, a situação se agravou. Solange afirma que recebia mensagens intimidatórias, presentes indesejados e até visitas inesperadas na residência. “Ele mandava comida, dinheiro, flores, quadro com a minha foto. Quando eu devolvia, ele voltava e deixava tudo na porta de casa. Era uma forma de continuar tendo algum vínculo comigo”, disse.
Em março deste ano, a vítima procurou a imprensa para denunciar o descumprimento das medidas protetivas. Na ocasião, relatou que o ex-companheiro passava frequentemente em frente à sua casa, enviava mensagens ameaçadoras e chegou a apedrejar o imóvel onde ela mora e trabalha. Ela também afirmou que o suspeito ameaçou seus filhos e chegou a se aproximar da escola de uma das crianças, mesmo estando proibido de manter contato.
Solange afirma que só descobriu o histórico de violência do ex-companheiro após procurar a polícia. “Quando fui fazer a medida protetiva, me mostraram que ele já tinha sido preso por agressão contra outra mulher. Não fui a primeira”, contou. Segundo ela, outras ex-companheiras também teriam relatado episódios semelhantes de perseguição e ameaças.
A irmã da vítima, Luciana Ribeiro Azevedo, saiu de São Paulo às pressas após receber a notícia da agressão. “Fiquei em pânico. Não sabia o que fazer. Comprei uma passagem e vim imediatamente para dar apoio para ela”, relatou. A mãe de Solange também acompanhou a recuperação da filha no hospital e disse que já temia que algo grave acontecesse. “Eu sempre falava para ela tomar cuidado. Tinha medo de ele fazer alguma coisa com ela e com os meninos”, contou.
Após receber atendimento médico, Solange disse que continua sentindo fortes dores pelo corpo e pretende passar por novos exames. “Meu pescoço dói, minhas costas doem, meu peito dói. Eu ainda estou muito machucada”, afirmou.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Marco Aurélio Salvino Pinto possui duas passagens pelo sistema prisional mineiro desde 2014. A mais recente ocorreu nesta terça-feira (16), quando ele foi admitido no Ceresp Gameleira, onde permanece à disposição da Justiça. O auto de prisão em flagrante foi distribuído na madrugada desta terça-feira e, até o momento, não havia definição sobre o horário da audiência de custódia.
A Polícia Civil investiga o caso.
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