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Idosa morta em acidente de ônibus em MG estava indo conhecer o mar

Passageiro denuncia que motorista teria relatado estar cansado; empresa confirma que, na hora do acidente, só havia um condutor

Minas Gerais|Michelyne Kubitschek, da Record TV Minas

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Maria da Piedade ia realizar o sonho de conhecer o mar
Maria da Piedade ia realizar o sonho de conhecer o mar

A viagem planejada pela família do borracheiro Marcos Damont Oliveira, 43, tinha um objetivo: levar a sogra dele, a pensionista Maria da Piedade da Silva, de 64 anos, para ver o mar. O desejo, no entanto, não pôde ser realizado. Maria é uma das duas vítimas que perderam a vida no acidente na noite dessa terça-feira (28), envolvendo um ônibus da empresa Jundiá Transportes, parceira da Buser, na BR-381, em João Monlevade, região central do estado.

"Ela nunca tinha visto a praia e sonhava em ir. Estava empolgada, animada demais, era a primeira vez que ia ver o mar. Ela falava da viagem todo dia. Alugamos uma casinha bonita em Guarapari para ficar bom para ela também. Difícil acreditar que isso tá acontecendo", lamentou Marcos.


De acordo com ele, o acidente aconteceu pouco mais de duas horas após o começo da viagem, iniciada na capital mineira. A previsão de chegada dos passageiros a Guarapari era a manhã desta quarta.

"Saímos de BH umas 21h15 e quando deu 23h30 mais ou menos, eu lembro só de um tranco, como se o ônibus tivesse caído em uma canaleta. Depois, despencou e o ônibus foi dando cambalhota uma atrás da outra. Várias e tudo muito rápido. Eu fui projetado dele. Eu lembro de levantar. Estou bem machucado e fui procurar minha esposa e a dona Maria (da Piedade), mas estou voltando para casa só com a minha mulher", conta.


A vítima será enterrada nesta quinta-feira (30) em um cemitério de Betim, na região metropolitana da capital.

Motorista cansado


A exaustão do motorista pode ter sido, segundo Marcos, uma das causas do acidente que deixou dois mortos. "Ele estava morto de cansaço, falou para todo mundo que estava virado, que estava no volante desde a noite passada. Só tinha ele de motorista no ônibus. Ele pode ter dormido", afirma.

A empresa Jundiá afirma que o funcionário havia cumprido o período de descanso exigido. "As razões do acidente ainda serão apuradas pelas autoridades, após perícias e depoimentos. Inicialmente, a informação que temos é que o motorista sofreu um mal súbito, o que também será objeto de investigação. O profissional é habilitado há sete anos e está com todas as licenças, exames de saúde e toxicológicos, registros e cursos em dia, assim como tinha cumprido o período de descanso obrigatório entre uma viagem e outra".


A companhia confirma em nota que, no momento do acidente, havia apenas um condutor no veículo e que o segundo assumiria o volante na cidade de Manhuaçu. A cidade fica a 174 km de João Monlevade, onde o ônibus caiu da ribanceira. De BH, a cidade fica distante 294km, cerca de cinco horas de viagem.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus acidentado estava habilitado e tinha licença, mas carregava mais passageiros do que teria sido informado, que seriam 12 pessoas. Entretanto, a viagem foi iniciada com 47 pessoas, 291% a mais do que a lotação máxima autorizada.

"A licença da ANTT para esta viagem estava regular, ainda que o sistema do órgão gere divergências em relação a horários, questão que é discutida permanentemente pelo setor de fretamento com a agência. O número de passageiros incluídos na listagem é diferente do número real por dificuldades operacionais relacionadas ao site da ANTT e que ainda estamos averiguando a razão. Isso não implica em riscos de segurança, trata-se de uma formalidade. E em nenhum momento a empresa deixou de informar às autoridades sobre a ocorrência da viagem", comentou a empresa sobre o número de passageiros.

"Reforçamos que todos os passageiros, constando ou não da licença, estão cobertos pelo seguro e estão sendo atendidos com toda solidariedade, sensibilidade e dedicação por nossa equipe", concluiu a companhia em nota.

Procurada, a Buser informou que aguarda o fim das investigaões. "A Buser tem a segurança como um dos pilares de sua atividade. A empresa oferece, gratuitamente, treinamentos regulares aos motoristas parceiros. Além disso, desde o início de sua atuação, implementou o seguro grátis a todos os viajantes", comentou a companhia.

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