Justiça manda soltar advogado ligado a escrivão da Polícia Federal
Ildeu da Cunha Pereira foi preso durante a Operação Escobar, no dia 5 de junho, que investiga o vazamento de dados sigilosos da PF , em Minas
Minas Gerais|Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

O desembargador Leão Aparecido Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília concedeu habeas corpus ao advogado Ildeu da Cunha Pereira, preso pela Operação Escobar, que investiga o vazamento de dados sigilosos da Polícia Federal em Minas. A decisão foi divulgada, nesta segunda-feira dia (17).
Conforme o R7 mostrou, com base em mensagens de WhatsApp da Operação Escobar, Ildeu da Cunha Pereira atuou diretamente para emplacar o escrivão da PF, Márcio Antônio Camillozzi Marra, no cargo de conselheiro do Cruzeiro.
Segundo as investigações, em troca da indicação, o policial Márcio Antônio Camillozzi Marra repassava ao advogado informações sigilosas de inquéritos envolvendo "poderosos" de Minas.
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Ex-superitendente jurídico do Cruzeiro na gestão Zezé Perrella, Cunha Pereira já havia sido preso, no passado passado, pela Operação Capitu, que investiga um suposto esquema de desvio de verbas do Ministério da Agricultura durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Na oportunidade, o ex-vice-governador de Minas Antônio Andrade (MDB) e o empresário Joesley Batista, da JBS, também foram presos. Cunha Pereira é ligado a um empresário de BH do ramo de alimentos.
No despacho, o desembargador Leão Aparecido Alves concedeu a liberdade com base em decisão de outro investigado pela Escobar, o também advogado Carlos Alberto Arges, que também ganhou habeas corpus. Segundo o magistrado, "em que pesem os indícios de materialidade e autoria" a "imposição da prisão preventiva do paciente não mais se justifica".
"Com efeito, a prisão cautelar, em nosso sistema jurídico, deve ser aplicada sempre como última ratio, quando presentes os requisitos para sua imposição, o que não mais ocorre no caso sob análise. Pelo exposto, defiro o pedido formulado em sede de cognição sumária para revogar a prisão preventiva do paciente", diz, trecho da sentença.
Em cinco de junho, a PF em BH deflagrou a Operação Escobar e prendeu preventivamente os advogados Cunha Pereira e Arges Júnior, além do escrivão Márcio Marra. O outro escrivão investigado, Paulo Bessa, foi alvo de mandado de prisão temporária. Já o advogado Sânzio Baioneta Nogueira, ex-defensor da jornalista Andrea Neves, teve o celular apreendido.















