Marcos Valério pode ir para prisão domiciliar
Publicitário cumpre pena de 37 anos em Minas Gerais e, há quase um ano e meio, fechou delação premiada com a Polícia Federal
Minas Gerais|Ezequiel Fagundes, da RecordTV Minas

Marcos Valério, o publicitário que operou propinas para vários políticos nas décadas de 1990 e 2000, poderá ir para a prisão domiciliar.
O ex-publicitário foi investigado de receber tratamento privilegiado enquanto preso na Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) em Sete Lagoas, região Central de Minas Gerais, mas, em dezembro, o juiz da Vara de Execuções Criminais de Contagem, Vagner de Oliveira Cavalieri, informou ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), que Valério foi absolvido da acusação de falta grave.
Exclusivo: Veja o momento em que Marcos Valério foi detido em BH
Valério era acusado pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) de diversas regalias na Apac: ausência do uso de algemas durante deslocamentos, visitas fora das datas permitidas, encontro com familiares em área externa à prisão e utilização de telefone.
O condenado também foi acusado de saídas ao dentista sem algema, escolta e cujo motorista era o próprio presidente da Apac. Por conta dessas acusações, ele deixou em setembro a unidade de Sete Lagoas, que tem regime mais brando, para voltar à penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.
A absolvição é um dos requisitos que Barroso analise o pedido de prisão domiciliar. A outra exigência é o pagamento da multa do processo do mensalão, estimada em R$ 4,5 milhões.
Marcos Valério é inocentado da acusação de ter regalias na prisão
Ainda no despacho, o juiz de Contagem informou ao ministro Barroso que não tem condições de oferecer mais condições de segurança para Valério. Tendo em vista que o sistema prisional mineiro inspira preocupações. O magistrado citou a falta de pagamento de 13º salário para os agentes prisionais e a quantidade de presos ligados a facções criminosas.
Delação
Em julho de 2017, Valério fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Já em outubro de 2018, a proposta foi homologada pelo ministro do STF Celso de Melo. O ex-publicitário delatou vários políticos, especialmente do PT e do PSDB.
Outro lado
Em nota, o advogado de Valério, Jean Robert Kobayashi Junior, declarou "não ter dúvida da absolvição da suposta falta disciplinar".
Segundo ele, o seu cliente é um preso exemplar, que está detido há cinco anos e um mês e nunca causou qualquer problema nas unidades prisionais por onde passou. Ainda segundo Kobayashi Junior, Valério só quer ser tratado como os demais presos, "pois, seus direitos sempre são cerceados, basta ver que a progressão de regime está vencida desde o 11 de agosto e, até agora, não conseguiu progredir, ou seja, tudo para ele é e sempre será mais difícil”.















