Menino de 6 anos vira símbolo da doação de órgãos e reforça importância da decisão das famílias
Caso de criança homenageada com corredor de honra em BH expõe desafios do sistema de transplantes no Brasil, onde mais de 48 mil pessoas aguardam por um órgão
Minas Gerais|Cler Santos, do R7.

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O gesto de despedida a um menino de seis anos, em Belo Horizonte, transformou a dor da perda em um ato coletivo de esperança. Servidores do Hospital João XXIII, na região Centro-Sul da capital, formaram um corredor de honra para Antônio, criança que morreu após um acidente de trânsito e se tornou doadora de órgãos. A homenagem, registrada pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), simboliza a necessidade de ampliar a doação de órgãos para salvar vidas.
A decisão da família de Antônio ganha ainda mais relevância diante dos números nacionais. Atualmente, cerca de 48.708 pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo a maior demanda por rim (45.091 pacientes) e fígado (2.453). Minas Gerais ocupa a segunda posição no ranking de estados com pacientes na fila, com 4.429 pessoas à espera de um órgão.
Segundo o cirurgião de transplantes Silvério Leonardo Macedo Garcia, diretor clínico do Hospital Felício Rocho, referência na área em Minas, o país possui o maior sistema público de transplantes do mundo, com mais de 90% dos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O estado, inclusive, vem registrando avanços, com recordes de transplantes em 2024 e 2025, superando a marca de 2.400 procedimentos por ano.
Veja o momento dos aplausos:
Apesar disso, a fila continua crescendo. Isso porque o número de novos pacientes que entram no sistema frequentemente supera o de transplantes realizados. Em 2025, foram 9.940 procedimentos em todo o Brasil. Já em 2026, até o momento, foram registrados pouco mais de 2.400 transplantes, números ainda insuficientes diante da demanda.
Um dos principais entraves está na autorização familiar. Pela legislação brasileira, a decisão final sobre a doação de órgãos cabe aos parentes de até segundo grau ou ao cônjuge, independentemente de qualquer manifestação prévia do paciente em vida. Em Minas Gerais, cerca de 40% das famílias recusam a doação — índice menor que a média nacional, mas ainda considerado alto por especialistas.
De acordo com o médico, a negativa costuma estar ligada a fatores emocionais e à falta de informação. Entre os principais motivos estão o desconhecimento do desejo do ente querido, dúvidas sobre o diagnóstico de morte encefálica — condição irreversível em que o cérebro deixa de funcionar — e o receio de mutilação do corpo.
“É fundamental que as pessoas conversem em vida sobre o desejo de serem doadoras. Quando a família tem essa clareza, a decisão se torna menos difícil em um momento tão delicado”, explica o especialista.
Outro ponto destacado é o combate a mitos. A ideia de tráfico de órgãos, por exemplo, não se sustenta dentro do sistema brasileiro. O processo é altamente regulado, com fila única nacional, controlada pelo Ministério da Saúde, baseada em critérios técnicos como gravidade do paciente, compatibilidade genética e tempo de espera — sem qualquer interferência financeira.
Em relato emocionado, um familiar que preferiu não ser identificado destacou que o menino sempre dizia que queria ser um “super-herói”. Para a família, a doação concretizou esse desejo. “Ele levou isso tão a sério que, até o último momento, fez um ato de grandeza para várias pessoas. É muito nobre poder ajudar outras famílias”, disse.
Para o diretor clínico, um único doador pode salvar ou melhorar a vida de mais de 10 pessoas, por meio da doação de órgãos como coração, pulmões, fígado e rins, além de tecidos como córneas, pele e ossos.
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