Minas registra recorde de incêndios florestais no mês de outubro
Até sexta-feira (23), o Estado já tinha registrado 3.566 focos de incêndio este mês
Minas Gerais|Thaís Mota, do R7

Em função do tempo seco e das altas temperaturas, o número de incêndios florestais em Minas Gerais vem aumentando desde abril deste ano, mês que marca o início do período de estiagem no Estado. Mas, o recorde foi registrado em outubro com 3.566 focos até essa sexta-feira (23), segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
A situação mais grave foi registrada no último final de semana. Para se ter uma ideia, somente na região metropolitana de Belo Horizonte, o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater 204 incêndios e, em todo o Estado, o número passou de 400. Diante do cenário, o governador Fernando Pimentel decretou estado de emergência em Minas Gerais e liberou R$ 8 milhões em recursos para o combate às chamas.
De acordo com o diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Eventos Críticos da Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais), Rodrigo Bueno Belo, a onda de altas temperaturas com recordes de calor, aliada à baixa umidade do ar (que chegou a ficar em torno de 12% em alguns dias) teria favorecido a expansão das queimadas e dificultado o combate.
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— Essa situação muda muito rapidamente e hoje já está mais controlada porque as temperaturas já caíram um pouco, já houve algumas chuvas e a umidade relativa do ar subiu.
No entanto, ele afirma que no último domingo (18), Minas chegou ao ponto de não ter mais recursos para mobilizar no combate aos vários incêndios registrados. Ao todo, o Estado tem à sua disposição 21 aeronaves e 388 brigadistas em unidades de conservação estaduais. Além disso, a Semad trabalha em cooperação com o Governo Federal, que também possui uma estrutura de combate ao fogo nas unidades de conservação nacionais.
— No domingo nós tínhamos um grande incêndio em uma área de difícil acesso na Serra do Rola Moça, estávamos apoiando o combate a um grande incêndio também na Serra do Cipó e também uma situação complicada na APA (Área de Preservação Ambiental) Alto Mucuri, próximo a Teófilo Otoni. E houve unidades que demandaram apoio aéreo, mas não tínhamos mais aeronaves disponíveis porque todas estavam em combate.
Belo afirma ainda que Minas tem a melhor estrutura de combate a incêndios de todo o país. Entretanto, o que aconteceu neste mês de outubro foi atípico e está relacionado à crise hídrica, à elevação das temperaturas e ao tempo seco, e também à ação do homem já que boa parte das queimadas em vegetação são criminosas. Inclusive, conforme informou recentemente o gerente do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, Marcus Vinícius de Freitas, o último registro de fogo no parque (que destruiu 25% de sua área) teria sido colocado por uma pessoa ainda não identificada.
Crise hídrica
Rodrigo Bueno Belo explica que a crise hídrica também está diretamente ligada à ocorrência de incêndios florestais. Isso porque, com a falta de chuvas, a vegetação fica bastante seca, o que faz com o que qualquer faísca de fogo se alastre rapidamente e se transforme em uma queimada.
— A crise hídrica afeta não por não ter água para o combate porque isso a gente sempre consegue. Mas, o maior problema da crise hídrica, que já vem desde 2013, é que ela resseca a vegetação e mesmo quando chove, isso às vezes é insuficiente para que as plantas se hidratem como deveriam.















