Ministério Público pede reabertura de processo de racismo no Mineirão
Um dos torcedores teria chamado um segurança de "macaco" durante partida; "olha sua cor" disse outro homem à vítima
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) entrou com recurso, nesta terça-feira (25), contra decisão da Justiça que extinguiu o processo contra dois irmãos que teriam praticado injúria e racismo contra um segurança durante uma partida de futebol no estádio Mineirão, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.
O caso aconteceu em novembro de 2019. Um vídeo gravado no local mostra o momento em que Fábio Countinho foi chamado de "macaco" por um dos homens. O outro teria gritado com o segurança: "olha sua cor".
Em sua decisão, a Justiça suspendeu a ação alegando que os fatos narrados se trataram de injúria racial e não racismo, assim, o Judiciário alega que deveria ter sido registrada uma queixa-crime e não uma denúncia, como foi feito.
Segundo o MP, o homem que chamou a vítima de "macaco" cometeu injúria racial, crime que atualmente "se procede mediante representação da vítima, conforme previsto no Código Penal, e não mediante queixa, como consignado na sentença", conforme explica o promotor de Justiça Mário Konichi Higuchi.
— Ao decidir extinguir o processo, a juíza se baseou em norma que não vigora desde setembro de 2009”, explicou o promotor.
Higuchi ainda destacou que o torcedor que gritou "olha a sua cor" cometeu crime de racismo já que o preconceito estaria ligado a todas as pessoas pretas.
A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados.















