Moradores de Mateus Leme tomam banho 'na caneca' porque Copasa se recusa a levar água para bairros
Prefeitura cobra IPTU mesmo sem fornecer água, esgoto, luz e asfalto
Minas Gerais|Do R7 MG, com Record Minas


Aos 84 anos, a aposentada Maria Leão de Araújo torce para encontrar água no poço artesiano para conseguir comer e tomar banho. Se o esforço for em vão, a tentativa se transfere para a casa dos vizinhos.
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Essa é a realidade de 1.500 famílias de Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte. Quatro bairros - Atalaia, Paraíso, Coqueiral e Tiradentes - não têm fornecimento de água porque, segundo a Copasa, são "poucos" moradores na região - os dados de 2010 estão desatualizados, segundo lideranças comunitárias. Enquanto isso, Maria Leão explica como toma banho.
— Tem um mês que tomo banho com um 'tantinho' de água. Virava na cabeça e dizia que estava tomando banho.
O aposentado Paulo Marcio Pereira reclama.
— A Copasa falou que aqui tem poucos moradores. Por isso estamos passando necessidade de água.
Os moradores ficam indignados porque nos bairros ainda não chegaram ônibus, asfalto ou rede de esgoto. Mas o boleto do IPTU encontrou a casa de cada um. Orlando Lopes tem uma carroça e anda 1km até um rio para pegar água para os vizinhos.
— Quem precisa eu trago, porque não tem condução, não tem carrinho de mão. E não cobro nada não. Vou cobrar de quem ganha pouco?
Segundo a Copasa, nesta semana haverá uma reunião com vereadores da cidade para discutir a falta de saneamento básico em Mateus Leme.















