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‘Não teve muitos gritos’, diz filho que matou e decapitou a mãe em Belo Horizonte

Diante da extrema gravidade do caso e do risco de reiteração delitiva, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Wagner Oliveira, da RECORD Minas

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Suspeito foi encaminhado ao Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), na Grande BH Reprodução/RECORD Minas

Em trechos da audiência de custódia obtidos com exclusividade pela RECORD Minas, Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, de 27 anos suspeito de matar e decapitar a própria mãe no bairro Ermelinda, na região Noroeste de Belo Horizonte, revelou ter sido diagnosticado com esquizofrenia em 2020, quando morava em Portugal, mas disse que interrompeu o tratamento e deixou de tomar a medicação após retornar ao Brasil, em maio do ano passado.

Durante o depoimento, Ritchie confirmou possuir um “diagnóstico de esquizofrenia de 2020”, realizado durante o período em que viveu em Portugal. Embora tenha realizado tratamento por cinco anos na Europa, ele admitiu que, ao retornar ao Brasil em maio do ano passado, “não deu continuidade” ao acompanhamento médico nem ao uso de medicações. O suspeito também listou um extenso histórico de uso de drogas, incluindo LSD, maconha e diversas substâncias sintéticas, embora tenha afirmado estar “limpo” há seis meses.


Sobre a dinâmica do assassinato, o investigado apresentou uma percepção perturbadora, afirmando achar “um pouco suspeito” o fato de a polícia ter chegado ao local por denúncias, uma vez que, segundo ele não houve muitos gritos no momento do ataque. “A minha mãe sempre foi muito, entre aspas, escandalosa”, declarou ele ao magistrado, justificando sua surpresa pela falta de reação da vítima. De acordo com os autos, Ritchie teria estrangulado a mãe enquanto ela dormia, buscado uma faca na cozinha e, em uma ação que durou cerca de cinco minutos, desferido diversos golpes e realizado a decapitação.

“Quando eu fui assassiná-la, eu entrei no quarto dela, ela não demonstrou grandes reações”, descreveu.


Motivação

A motivação do crime aponta para um quadro de surto psicótico mesclado com ressentimento. Ritchie alegou ter ouvido uma “voz que lhe disse para matar sua mãe”, mas também mencionou um sentimento de “vingança” por uma suposta negligência materna. Ironicamente, ele próprio reconheceu durante a oitiva que a mãe era a provedora da casa e que “nunca deixou faltar nada”, uma vez que ele se encontrava desempregado.

Preventiva

Diante da extrema gravidade do caso e do risco de reiteração delitiva, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. O magistrado destacou que, devido ao quadro de esquizofrenia sem tratamento, Ritchie representa um risco à ordem pública.


O suspeito foi encaminhado ao Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, onde deverá permanecer custodiado e sob acompanhamento psiquiátrico até que seja realizada uma perícia oficial de sanidade mental. A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza determinou nesta quinta-feira (25) que a unidade prisional onde Ritchie está deverá ser comunicada com urgência sobre a realização do exame, que ocorrerá na próxima segunda-feira (29).

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